19 Mar 2026
Manuel Rebelo, Rui Luzes Cabral, Tavares Ribeiro e Amílcar Braga na inauguração da mostra ‘Memórias do Nosso Tempo’
Nogueira do Cravo> Exposição de Abílio Guimarães
O Salão Nobre da Junta de Freguesia recebeu a inauguração da mostra "Memórias do Nosso Tempo", que reúne as obras dedicadas às 19 freguesias de Oliveira de Azeméis e ilustraram o livro com o mesmo nome.
Um dos pontos altos da intervenção histórica foi a referência à Mina do Pintor. Rica em arsénio e volfrâmio, a mina foi a principal fonte de rendimento para as famílias nogueirenses até meados do século XX. O historiador Amílcar Malva revelou estar em contacto com famílias para publicar uma investigação inédita sobre a exploração da companhia inglesa, reforçando a necessidade de um centro de interpretação que ouça os antigos trabalhadores.
Quase um quarto de século depois da sua última exposição no Salão Nobre de Nogueira do Cravo, Abílio Guimarães voltou para apresentar um projeto que é simultaneamente artístico e documental. A inauguração, no passado sábado, serviu de montra para a exposição "Memórias do Nosso Tempo", uma viagem visual pelo concelho de Oliveira de Azeméis.
O anfitrião da sessão, Manuel Rebelo, presidente da Junta de Freguesia de Nogueira do Cravo, destacou o "orgulho" de receber o conjunto de trabalhos que prestigia a arte e a pintura, sublinhando o esforço logístico para reunir este espólio. Segundo o autarca, a parceria com o município e com o artista permitiu dignificar o espaço da freguesia com uma "riqueza enorme", que serve não apenas como exposição, mas como uma justa homenagem a décadas de trabalho dedicadas à região.
Pinceladas com história
A sessão iniciou-se com uma nota emocional através da leitura do texto "Pinceladas Dedicadas", escrito por Susana Guimarães, filha do pintor. No texto, lido por uma colaboradora, descreve-se o "ritual de aproximação" do artista à luz da Igreja de Nogueira do Cravo, num momento de criação sob calor intenso que resultou numa das peças centrais da mostra. O próprio Abílio Guimarães recordou o episódio com humor, admitindo ter escolhido "uma má hora" para pintar, mas justificando que o vigor da obra proveio da ligação afetiva ao local.
O curador da mostra, Tavares Ribeiro, recordou que a última presença de Abílio Guimarães na vila aconteceu há 23 anos, sublinhando que alguns dos quadros agora expostos pertencem a coleções particulares, como a de Álvaro Figueiredo, e representam locais emblemáticos que fazem parte da identidade coletiva.
O apelo à preservação
Em Nogueira do Cravo, o historiador Amílcar Braga aproveitou a ocasião para alertar para a fragilidade do património local. Percorrendo a cronologia da vila desde o século XII até ao auge da exploração mineira, o historiador apelou à comunidade e às autarquias para que não deixem morrer a memória documental. Amílcar defendeu a entrega de espólios ao Arquivo Histórico Municipal, garantindo a sua salvaguarda técnica para os vindouros.
O vereador da Cultura, Rui Luzes Cabral, prefaciou o livro ‘Memórias do nosso Tempo’, livro que compilava as imagens agora expostas em Nogueira do Cravo. E confirmou o sucesso comercial e cultural da iniciativa, revelando que a edição de 500 exemplares do livro está praticamente esgotada, o que levará a autarquia a avançar com uma nova tiragem num futuro próximo.
O valor do património "Uma terra sem memória é uma terra órfã e inexistente. Se não houver identidade e memória, a comunidade é pouco coesa e acabará por morrer a curto prazo. É fundamental preservarmos os vínculos que nos ligam a todos, inventariando e protegendo os nossos arquivos."
Amílcar Braga
Acolhimento e orgulho local "Para nós é um privilégio acolher esta exposição. Gostaria que momentos como este não acontecessem apenas hoje; vale a pena ter o 'Vili' a expor em Nogueira do Cravo, dignificando nesta sala todo o nosso concelho através de obras de todas as freguesias."
Manuel Rebelo, Presidente da Junta de Freguesia
A alma das pinturas "O objetivo desta exposição são memórias do nosso tempo. Procurei mostrar a parte genuína da terra através da estética da aguarela. Fiz trabalhos como a Capela dos Prazeres com muito carinho, precisamente para que locais emblemáticos não caiam no esquecimento."
Abílio Guimarães
Sucesso editorial e cultural "Este livro é uma viagem pelas 19 freguesias. Convidadmos uma personalidade de cada local para escrever e o resultado foi um sucesso tal que a edição está desbotada. Vamos ter de reeditar o 'Memórias do Nosso Tempo' para que mais pessoas tenham contacto com esta obra."
Rui Luzes Cabral
Continuidade e amizade "Há 23 anos, aqui também houve uma exposição do Abílio Guimarães que correu muito bem. É gratificante este desejo de voltar a um sítio onde se esteve bem, fazendo a ponte entre o que foi feito no passado e o que o pintor nos apresenta hoje."
Tavares Ribeiro