> Jorge Melo Pereira
Há poucos dias atrás, li uma notícia no jornal on-line “Discurso Direto de Arouca”, que me deixou particularmente feliz e sensibilizado. Noticiava este jornal, que os antigos Comandantes dos Bombeiros Voluntários de Arouca, foram homenageados na II GALA DA FEDERAÇÃO DOS BOMBEIROS DO DISTRITO DE AVEIRO, sendo eles, Floriano Amaral e José Gonçalves, agora comandantes do quadro de honra, pessoas que “ao longo de muitos anos, ambos representaram com enorme sentido de missão, liderança e espírito humanitário os valores do voluntariado e da proteção ao próximo, deixando um legado que continuará a inspirar gerações de Bombeiros. Esta distinção representa o reconhecimento público de um percurso marcado pela entrega, pelo compromisso e pela dedicação ao serviço da população”.
De referir, que estas duas personalidades, fazem parte do primeiro grupo de bombeiros de Arouca, fundados em 11 de abril de 1977, instruídos/formados pelo então Sub Chefe Aníbal Pereira, dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis.
O Sub Chefe Aníbal, era na época a pessoa que detinha uma capacidade única de transmitir os seus conhecimentos, sendo o instrutor/formador durante décadas dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis, em que muitos dos atuais bombeiros desta corporação, ainda se recordarão dos seus ensinamentos.
Também foi o Sub Chefe Aníbal Pereira, o instrutor/formador, fundador dos primeiros bombeiros da jovem corporação dos Bombeiros Voluntários de Fajões, fundados em 13 de julho de 1982, cinco anos mais tarde.
O Sub Chefe Aníbal, ingressou no Quadro de Honra dos Bombeiros de Oliveira de Azeméis, no posto de Segundo Comandante, uma pessoa que sempre se pautou pela sua discrição, fora dos holofotes mediáticos, mas sempre foi um pilar dos Comandantes da sua época como o Comd. Alegria, Carvalho e Elíso Coelho. Dia 24 de Junho de 2026, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis, comemoraram os seus 120 anos de história, com dignidade, pompa e circunstância. Diria mesmo, Bem hajam os Bombeiros de Oliveira de Azeméis.
Endereço mesmo um forte abraço aos atuais dirigentes, comando e bombeiros de Oliveira de Azeméis. No entanto, 120 anos representa um passado com muita responsabilidade para ter chegado até esta bonita marca, muitas histórias ocorreram, (recordo as histórias do Zé Costa), umas mais simpáticas outras nem tanto, umas de coragem outras de cobardia.
O que é certo, é que a história não se apaga, pode-se até omitir, como ocorreu com o livro do centenário da associação, muitos sabem do que falo, mas jamais se apaga a história de uma instituição e das pessoas que por lá passaram e deixaram a sua marca.
Não são os mediáticos que se intitulam como bombeiros sem farda, que têm o poder de “rasgar” a história dos bombeiros com farda, aqueles que de facto dão o corpo ao manifesto, arriscam a vida, se desgastam psicologicamente e profissionalmente e mesmo as suas famílias.
Estes merecem todo o reconhecimento, respeito e valorização. Estes são os verdadeiros obreiros.
Instituições que consomem a força de trabalho dos seus membros, mas que se esquecem de lhes reconhecer o valor, esta falha não é apenas um descuido de gestão; é uma falência ética.
* Colaborador