17 Apr 2026
O conhecimento do Mestre Morgado foi um dos muitos cruciais para traduzir os movimentos da arte de moldar o vidro para a linguagem cénica
No próximo domingo, dia 19 de abril, Oliveira de Azeméis transforma-se num palco vivo para celebrar a sua herança vidreira. O espetáculo ‘Indústria’, resultado de uma residência artística da companhia Mundo do Reboliço, promete fundir dança, teatro e música numa narrativa que começa em plena via pública e culmina no grande auditório do Teatro Municipal, honrando o passado e o presente fabril do concelho.
Oliveira de Azeméis vai "parar" e olhar o seu próprio reflexo no vidro. Pelas 16h30 de domingo, o trânsito cederá lugar à arte, marcando o início de uma performance que a vereadora da Cultura da Câmara Municipal, Ana Filipa Oliveira, descreveu em declarações à AzeméisTV como um mergulho profundo na "identidade de Oliveira de Azeméis".
Este projeto, que constitui a terceira residência artística do Teatro Municipal de Oliveira de Azeméis (TeMA), não é apenas uma encenação, mas o culminar de um rigoroso processo de investigação sobre as raízes industriais da região.
A equipa criativa, liderada pela coreógrafa Filipa Francisco, baseou a construção da peça em visitas a locais emblemáticos como a fábrica Simoldes e o Centro Vidreiro, onde o conhecimento do Mestre Morgado foi crucial para traduzir os movimentos da arte de moldar o vidro para a linguagem cénica.
Além disso, figuras como o cineasta Matos Barbosa e Rui Conde, a par das confrarias locais, emprestaram os seus testemunhos para garantir que a história contada em palco espelhasse fielmente a alma oliveirense.
Um dos pilares desta produção é a integração massiva de agentes culturais do concelho. Em vez de uma equipa exclusivamente externa, o TeMA optou por convocar o talento local, integrando a Banda Musical de Loureiro, a escola de dança Meia Ponta e, numa colaboração inédita, o Agrupamento de Escolas Ferreira da Silva, de Cucujães.
Segundo a responsável pelo pelouro da Cultura, o objetivo é que os artistas da terra sejam o "fator principal" da programação. A peça terá a duração de 75 minutos e, após a performance no palco, o público será convidado para um momento de degustação gastronómica. As confrarias das Papas de S. Miguel e do Arroz serão as responsáveis pelo encerramento do evento, completando a experiência sensorial com os sabores tradicionais da terra.
A construção da identidade "Esta história tem muito a ver com a nossa identidade. Foi feita uma visita à Simoldes e ao Centro Vidreiro, com o mestre Morgado para explicar como eram feitas as nossas peças. Ouvimos também personalidades oliveirenses e as nossas confrarias, porque tudo isso estará espelhado neste espetáculo que cruza a dança, a música e o teatro num só palco."
O palco na rua e no auditório "É um espetáculo diferente que vai começar na rua, que nesse dia estará cortada ao trânsito. Depois, o público será transportado para o grande auditório do TeMA durante 75 minutos. É fundamental que os oliveirenses adiram, porque é uma peça extraordinária, feita com pessoas extraordinárias que estão a prepará-la para ser uma surpresa para quem assistir."
Valorização do talento local "Queremos muito que os nossos agentes culturais sejam o fator principal da programação trimestral. Convidámos a Banda de Loureiro, a escola Meia Ponta e, como novidade, o Agrupamento de Escolas Ferreira da Silva. É importante trazer experiências externas para partilha de conhecimento, mas o principal é que este espetáculo é feito com aquilo que é nosso." Ana Filipa Oliveira, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis
Encerramento com as confrarias "No final, teremos um momento de degustação que acaba por completar aquilo que foi feito no auditório. Esta parte será assegurada pela Confraria das Papas de São Miguel e pela Confraria do Arroz. É uma forma de promover o nosso produto e a nossa identidade até ao último minuto do evento."