Cristina Lima, presidente da comissão de proteção de crianças e jovens
Caminhada azul pela prevenção da violência das crianças e jovens
Em entrevista nos estúdios da AzeméisTV, Cristina Lima, presidente da comissão de proteção de crianças e jovens (CPCJ), falou-nos sobre a caminhada que se irá realizar este domingo, 19 de abril, em Ossela
Esta caminhada insere-se numa atividade da comissão alargada, que tem como missão prevenir e alertar para “esta problemática dos maus-tratos”, começa por referir Cristina Lima, na nossa entrevista.
CPCJ não é um “bicho-papão”
Cristina Lima afirma que as pessoas têm a ideia de que a CPCJ “é sempre aquele bicho-papão, as pessoas têm esta ideia de que tiramos os meninos”. Por isso, o objetivo principal desta caminhada é estar mais próximos da comunidade, para alertar sobre a problemática da violência infantil, e desmistificar o que é a comissão.
“Essa é a última das últimas atuações”, garante Cristina, em relação ao retirar as crianças às famílias. “Sempre que há uma sinalização, é óbvio, explora-se sempre todas as medidas anteriores, dá-se sempre oportunidade e trabalhamos”, garantindo que ajudam “a família no sentido de melhorar determinadas coisas que não estarão tão bem”.
Plano de atividades que reúne a comunidade
A comissão alargada tem um plano atual para promover atividades para a prevenção. Durante a semana da criança, vão estar integrados no parque de La Salette, juntamente com a divisão da educação, “temos lá uma barraquinha também com atividades para estarmos mais perto da comunidade”.
Vão ter o estendal dos direitos, em articulação com as juntas de freguesias, “todas as escolas, ou IPSS, dessa freguesia serão convidadas a colocar uma pecinha nesse estendal, com os direitos da criança”, de forma a alertar que “a Convenção dos Direitos da Criança, que a criança tem direitos que têm que ser salvaguardados”.
Uma comissão, dois modos de funcionamento
A CPCJ tem duas vertentes de atuação, a comissão alargada, que se responsabiliza na parte da prevenção, e a comissão restrita, que está mais direcionada para a proteção e intervenção direta nos processos.
Cristina Lima há um ano na frente da CPCJ de Oliveira de Azeméis
Cristina Lima integra a comissão restrita de proteção de crianças e jovens de Oliveira de Azeméis, desde 2022. É um grupo formado por nove pessoas, “estou a representar o município”. No entanto, é assistente social do município há 25 anos, e sempre trabalhou na área da infância e juventude.
Cristina Lima afirma que “dependendo das situações, há algumas noites que fico sem dormir”. Todavia, tenta sempre olhar para o lado positivo e para o bem que está a fazer aquela criança e aquele jovem. “Estamos a fazer o melhor que sabemos e que podemos”.
Retirar a criança à família é o último recurso
Ao contrário do que se pensa, a CPCJ só retira as crianças às suas famílias em último recurso e, com a lei atual, “privilegia também o acolhimento familiar, mas pronto, quando não há essa possibilidade, o último [recurso] mesmo é o acolhimento residencial”. Para além da família, a criança/jovem, pode ser entregue a um vizinho “estando estudado, estando trabalhado, tendo essa documentação toda reunida no processo, pode ser confiado a outra família”.
Quando existe uma sinalização, a informação é toda reunida e estudada. “Nós ajudamos a família, há coisas que estão menos bem, temos a sorte de ter uma equipa destinada a trabalhar com a comissão”. Essa mesma equipa depois trabalha “diretamente na família, com as famílias em sua casa”.