1 Oct 2026
Nogueira do Cravo> Situação financeira na assembleia de freguesia
Manuel Rebelo diz que as contas estão agora mais estabilizadas, depois de um início de mandato em que a tesouraria chegou a estar sob forte pressão. A contenção mantém-se e levou, entretanto, à suspensão do projeto do Parque da Via Nordeste.
A dívida da Junta de Freguesia de Nogueira do Cravo já foi reduzida em cerca de 37%, segundo revelou o presidente do executivo durante a última Assembleia de Freguesia. “Ao dia de hoje reduzimos cerca de 37% da nossa dívida”, anunciou Manuel Rebelo, ao fazer o ponto de situação das contas da autarquia.
O presidente da junta recordou que o início do mandato ficou marcado por fortes limitações financeiras, associadas, entre outros fatores, a verbas que estavam por receber e às consequências administrativas da desagregação de Nogueira do Cravo e Pindelo.
“Tivemos uma dificuldade enorme”, admitiu, revelando que houve uma fase em que a Junta chegou a ter muito pouca disponibilidade de tesouraria. “Chegámos a pontos de não termos quase dinheiro para fazer coisas aqui difíceis, para tentarmos pagar ao pessoal”, afirmou.
A situação terá melhorado com a entrada de algumas verbas entretanto aguardadas. Na Assembleia foi salientado o recebimento de uma verba da Adritem, considerada importante para estabilizar a tesouraria, ao que o presidente respondeu com o número da redução da dívida.
“Queremos pagar a dívida”
Manuel Rebelo defendeu que a recuperação está a ser feita de forma gradual, procurando garantir as despesas correntes sem voltar a aumentar o passivo. “Queremos pagar a dívida”, assegurou, adiantando que a situação se encontra agora “praticamente estabilizada”.
Apesar da evolução, a margem financeira continua a pesar nas decisões do executivo. É o caso do projeto do Parque da Via Nordeste. A Junta acertou com o arquiteto responsável o pagamento de uma fatura de 4.182 euros e acordou a suspensão do projeto, deixando aberta a possibilidade de este vir a ser retomado no futuro. Na informação prestada à Assembleia, o executivo justificou expressamente a decisão com a inexistência, neste momento, de “capacidade financeira” para concretizar a intervenção.
O presidente referiu ainda que a Junta pretende continuar a candidatar pequenas intervenções aos apoios que venham a ser disponibilizados, conciliando novos trabalhos com a recuperação financeira.
“O povo português não quer saber das contas, mas nós queremos saber das contas e queremos saber da freguesia”, afirmou, apontando como prioridades a limpeza das ruas, pequenas obras e a resposta às necessidades mais imediatas da população.
Proteção Civil
Unidade avança, mas custos e responsabilidades geram dúvidas
A Assembleia de Freguesia aprovou por unanimidade o regulamento para a criação de uma Unidade Local de Proteção Civil (ULPC), destinada a reforçar a capacidade de resposta a situações como incêndios, inundações e outras ocorrências.
A votação foi, contudo, antecedida por um debate sobre o funcionamento da futura estrutura. Foram levantadas dúvidas quanto a seguros, equipamentos, viaturas, formação dos voluntários, coordenação e à divisão de responsabilidades entre Junta e Município.
O executivo reconheceu que ainda há matérias por definir e que a criação da unidade implicará encargos. “Quem é que suporta isto? É preciso ver quem suporta”, foi salientado durante a discussão, com a Junta a defender que não pode assumir novas responsabilidades à custa do aumento da dívida. Foi ainda recordado que a freguesia sofreu este ano uma redução de cerca de 20 mil euros nas transferências do Estado, valor que espera ver reposto. O passo aprovado na Assembleia corresponde ao regulamento de criação da ULPC, ficando a constituição e operacionalização da equipa para fases posteriores.
Escola
“É brincar com quem anda lá, com os miúdos”
Uma cobertura danificada há vários anos junto à escola e ao ATL levou o presidente da Junta a criticar a demora na resolução do problema.
A situação foi levantada por Gaspar, que lembrou que a anomalia já tinha sido comunicada à Câmara Municipal.
Manuel Rebelo da Costa recordou que esteve no local com responsáveis municipais em janeiro e lamentou que a intervenção continue por concretizar. “Isto é brincar. É brincar com quem anda lá, com os miúdos”, afirmou, alertando que, quando chove, são as crianças que acabam expostas à entrada de água.