O município recolheu cerca de 2700 monos no último ano
> Resíduos urbanos
O número de objetos volumosos espalhados pelas freguesias tem vindo a crescer. A câmara municipal recolheu cerca de 2700 monos no último ano, mas admite a necessidade de uma solução de proximidade.
A Câmara de Oliveira de Azeméis está a trabalhar com as juntas de freguesia para criar uma resposta mais rápida à deposição indevida de monos na via pública. A ideia passa por envolver as juntas na recolha local de objetos volumosos deixados junto a contentores, passeios, matos ou zonas florestais, concentrando-os depois nos seus estaleiros para posterior recolha municipal.
O problema voltou a ser discutido na última reunião de câmara, depois de Pedro Marques, vereador eleito pela AD, ter alertado para a presença de monos “em todos os sítios e em todas as freguesias”. O eleito considerou que o assunto “é para resolver” e defendeu que a acumulação de objetos volumosos no espaço público continua a marcar a paisagem do concelho.
“As juntas nem sequer têm meios para isso”
Pedro Marques admitiu a necessidade de reforçar o serviço, mas levantou dúvidas sobre a solução que passa pelas juntas de freguesia. O vereador questionou se estas têm condições, meios e espaços adequados para recolher e armazenar monos até à intervenção da câmara.
Joaquim Jorge respondeu que o problema tem duas dimensões. Por um lado, admitiu que pode haver necessidade de reforçar o serviço para responder melhor à procura. Por outro, sublinhou que muitos objetos são deixados indevidamente na rua, apesar de existir uma linha própria para pedir a recolha.
O presidente da Câmara disse que foram recolhidos cerca de 2700 monos no último ano, o equivalente a mais de duas centenas por mês. Ainda assim, reconheceu que a deposição indevida continua a acontecer com frequência, sobretudo quando os munícipes não querem esperar pelo agendamento ou não usam os canais disponíveis.
“Temos um número para o qual as pessoas devem ligar”, afirmou Joaquim Jorge, defendendo que o município procura cumprir os agendamentos, mas não tem meios ilimitados para responder de imediato a todas as situações.
Camas, sofás e colchões nas ruas
É nesse ponto que entra a solução em discussão com as juntas. A proposta passa por permitir que cada freguesia recolha os monos abandonados no seu território e os guarde temporariamente no respetivo estaleiro. Depois, a Câmara faria a recolha nesses pontos, evitando deslocações dispersas e acelerando a retirada dos objetos do espaço público.
O presidente enquadrou esta resposta numa lógica de proximidade, semelhante à criação de unidades locais de proteção civil nas freguesias. Ainda assim, reconheceu que a solução depende da capacidade de cada junta e da articulação com os serviços municipais.
Joaquim Jorge insistiu que o problema dos monos não se resolve apenas com mais meios. O presidente criticou comportamentos de deposição indevida e defendeu que é preciso reforçar a educação cívica dos munícipes.
O autarca apontou práticas como deixar lixo junto a contentores cheios, colocar resíduos indiferenciados em contentores de biorresíduos ou abandonar monos em locais remotos. “Não são comportamentos naturais”, afirmou, considerando que a responsabilidade comunitária tem de pesar mais na forma como os resíduos são tratados.