4 Mar 2026
Joaquim Jorge diz que os nomeados não ão militantes do PS, mas admitiu que a "lealdade" foi 'premiada'
Os critérios de escolha e a legalidade das nomeações para o gabinete de apoio à presidência de Joaquim Jorge estiveram na berlinda da reunião de Câmara de 4 de abril. O debate espoletado por Pedro Marques colocou em causa a acumulação de funções e a disponibilidade real dos novos elementos, enquanto o presidente da Câmara, Joaquim Jorge, defendeu a competência técnica e a legitimidade política das suas escolhas.
O vereador Pedro Marques, da AD, liderou as críticas ao focar-se na nomeação de João Moreira para o cargo de adjunto do gabinete da presidência. A principal dúvida levantada prende-se com o facto de Moreira ser simultaneamente secretário da Junta de Freguesia de Cucujães, o que levanta questões sobre a "disponibilidade total" exigida para um cargo de confiança no município. Marques sublinhou que, embora a lei possa permitir certas acumulações a meio tempo, a natureza de um cargo de adjunto num gabinete de presidência pressupõe uma dedicação que, no seu entender, parece colidir com as responsabilidades executivas numa junta de freguesia.
Esta preocupação já havia sido ecoada publicamente pelo Chega, através do vereador Manuel Almeida, que anteriormente questionou os critérios técnicos e os percursos autárquicos dos nomeados — João Marcelo Ameixieira Moreira (Adjunto) e Adriano José Moreira Pinto (Secretário). Para a oposição, estas escolhas carecem de uma reflexão mais profunda sobre a transparência e a eficácia operacional do gabinete.
Em resposta direta às críticas, Joaquim Jorge foi expansivo na defesa dos seus colaboradores, elencando cinco critérios fundamentais que presidiram às escolhas: capacidade operacional, disponibilidade, competência técnica, experiência autárquica e lealdade ao programa de governo da autarquia. O autarca afirmou categoricamente que os elementos nomeados reúnem todas estas características e são fundamentais para assegurar o acompanhamento de obras públicas e a articulação com as juntas de freguesia.
Relativamente às dúvidas de Pedro Marques, o presidente garantiu ter consultado os serviços municipais e assegurou que não existe qualquer tipo de incompatibilidade legal nas nomeações. Joaquim Jorge defendeu que João Moreira pode perfeitamente apoiar a sua freguesia "no final do dia", tal como fazem muitos outros autarcas que mantêm as suas profissões, não vendo nisso um impedimento para o exercício das funções no gabinete municipal.
O presidente da Câmara procurou desmarcar as nomeações de motivações puramente partidárias, sublinhando que os visados não são militantes do seu partido nem possuem ligações familiares consigo. Joaquim Jorge manifestou-se contra o que apelidou de "exercício de achincalhamento" e descredibilização dos autarcas, afirmando que não aceita contributos para julgar pessoas sem um conhecimento profundo do seu trabalho.
O autarca aproveitou o momento para criticar o que considera ser uma "postura política" de pensar pequeno, que no seu entender não ajuda o concelho a crescer. Apelou ainda a que o debate público se concentre nas realizações concretas e no trabalho do movimento associativo e dos empresários, em vez de alimentar polémicas sobre as escolhas pessoais da sua equipa de confiança.