6 May 2026
A Junta de Freguesia de Macieira de Sarnes, agora liderada pelo socialista Filipe Marques, irá devolver 48 mil euros à autarquia oliveirense até 2029
Macieira de Sarnes> 48 mil euros no centro da polémica
A Junta de Freguesia de Macieira de Sarnes está no centro de uma troca de acusações políticas sobre uma verba de 48.128,98 euros relacionada com o projeto da Rota das Alminhas.
O atual presidente da junta, Filipe Marques, acusou o anterior executivo de lhe ter ocultado a existência desse valor a devolver à câmara municipal. O anterior executivo rejeita a acusação, garante que cessou funções “sem quaisquer dívidas e com saldo positivo” e acusa a atual Junta de tentar “distorcer a realidade”.
O assunto chegou à Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis através do ponto relativo à devolução de valor pela Junta de Freguesia de Macieira de Sarnes, no âmbito da criação do percurso da Rota das Alminhas.
Na apresentação do ponto, o presidente da câmara, Joaquim Jorge, explicou que a situação resultou de um adiantamento feito pela autarquia à junta de freguesia, à semelhança do que aconteceu com outras freguesias, para permitir o pagamento de faturas antes do recebimento da respetiva comparticipação.
Segundo Joaquim Jorge, havia “um diferencial de 48.128,98 euros” que foi necessário adiantar à junta para que, depois de receber esse dinheiro, o montante fosse devolvido à Câmara. Entretanto, o novo executivo da freguesia apresentou uma proposta para devolver a verba, com uma entrega inicial e o restante a pagar mensalmente entre 2026 e 2029.
Filipe Marques fala em dívida ocultada
Foi nesse contexto que Filipe Marques tomou a palavra na Assembleia Municipal. O presidente da Junta de Macieira de Sarnes afirmou que, quando o novo executivo assumiu funções, foi confrontado com uma realidade diferente daquela que lhe teria sido transmitida na passagem de dossiês.
“Foi-nos ocultado uma dívida no valor de 48.128 euros e 98 cêntimos”, afirmou, repetindo o montante perante os deputados municipais. Para o autarca, a situação é grave “não apenas pelo montante em causa”, mas pelo princípio da confiança entre quem governa e quem é governado.
Filipe Marques defendeu que os macieirenses “tinham o direito de saber, de forma clara, qual é o estado financeiro da sua freguesia” e apresentou a proposta de devolução como uma forma de repor transparência e responsabilidade na gestão autárquica.
Antigo executivo nega dívida
Em declarações ao Correio de Azeméis, o anterior executivo rejeita as acusações. “É uma questão defesa da minha honra e da de todos os que integraram o executivo que liderei”, diz Florbela Silva, anterior presidenta para “reafirmar que cessámos funções sem quaisquer dívidas e com saldo positivo”.
O anterior executivo afirma que o exercício contabilístico foi encerrado a 24 de outubro de 2025 e remetido ao Tribunal de Contas, apresentando um saldo bancário positivo de 29.634,64 euros. E sustenta que, quando solicitou a conta corrente da freguesia aos serviços da câmara municipal, foi informado de que havia montantes ainda por pagar à freguesia, no valor de 10.668,75 euros, a liquidar “no prazo de poucas semanas”.
O antigo executivo defende que, se tivesse sido solicitada nessa altura a devolução de qualquer verba transferida em excesso, teria tido condições para requerer o adiantamento dos restantes duodécimos em falta, no valor de 7.112,50 euros, e regularizar a situação.
A anterior equipa autárquica sublinha ainda que o atual executivo recebeu essas quantias, bem como os valores do Fundo de Financiamento das Freguesias relativos a novembro e dezembro, num montante aproximado de 13 mil euros. Segundo as contas apresentadas, entre 31 de outubro e 31 de dezembro, a atual Junta terá tido na sua posse 60.415,89 euros.