30 Sep 2026
Executivo confirmou que o terreno pertence à União de Freguesias desde 1981, depois das dúvidas que levaram à retirada da proposta de cedência em abril. Entretanto, a associação mudou de prioridades, depois dessa sessão em que Ricardo Martins mostrou desagrado com a forma como o processo estava a ser conduzido.
O antigo campo de futebol de Macinhata da Seixa continua sem um destino definido. O espaço, hoje pouco mais do que um terreno em terra batida, com vegetação a ocupar parte da área e sem condições para uma utilização desportiva regular, chegou a estar destinado a um projeto da Associação Brilho de Cerejas. A cedência não avançou e, entretanto, a coletividade deixou de ter interesse, pelo menos para já, em ocupar o recinto.
Foi precisamente numa tentativa de dar utilização ao antigo “campo da bola” que surgiu a possibilidade de o espaço passar para a gestão da Brilho de Cerejas. A ideia era permitir à associação desenvolver ali atividades e, ao mesmo tempo, assumir a manutenção e dinamização de um recinto que há muito permanece subaproveitado.
A proposta chegou à Assembleia de Freguesia de 17 de abril, já com Ricardo Martins à frente da coletividade, mas não chegou a ser votada. Foram levantadas dúvidas sobre a identificação matricial e sobre se a documentação apresentada correspondia efetivamente ao terreno que se pretendia ceder, levando o executivo a retirar o ponto.
Ricardo Martins, que acompanhava a reunião, acabou por intervir no período destinado ao público, mostrando desagrado pela forma como o processo tinha evoluído e pedindo que a cedência não fosse transformada numa disputa política.
Cinco meses depois, o assunto regressou à Assembleia. Ana Paula Tavares, vogal do executivo da União de Freguesias, recuperou o episódio e apresentou os esclarecimentos entretanto recolhidos.
Segundo explicou, a pesquisa documental permitiu confirmar que o terreno correspondente ao artigo matricial 806 pertence à autarquia e que a sua aquisição remonta a 5 de março de 1981.
O espaço terá sido adquirido à Fábrica da Igreja pela então Junta de Freguesia de Macinhata da Seixa, presidida por Fernando Correia Tavares, pelo valor de 100 contos.
Ana Paula Tavares aproveitou o esclarecimento para recordar as dúvidas levantadas em abril pela oposição. Disse que o executivo não esperava a posição então assumida e sublinhou que a intenção passava apenas por colocar um espaço sem utilização ao serviço de uma associação e da comunidade.
A confirmação da propriedade chegou, contudo, já depois de a situação da Brilho de Cerejas ter mudado. A vogal revelou que o executivo voltou entretanto a falar com a direção da coletividade, que transmitiu ter agora outras prioridades.
“Neste momento tinham assuntos de maior importância para resolver e não se mostraram interessados para já”, explicou Ana Paula Tavares.
A forma como o episódio de abril foi recuperado pelo executivo provocou uma reação imediata da AD.
António João Santos rejeitou que as dúvidas então levantadas possam ser interpretadas como uma posição da bancada contra a cedência do campo à Brilho de Cerejas.
“O ponto não foi discutido, foi retirado. Ponto final”, vincou, defendendo que a discussão sobre o mérito do projeto nem sequer chegou a acontecer.
Segundo o eleito da AD, a bancada limitou-se a questionar se o terreno identificado na proposta correspondia efetivamente à documentação apresentada, tendo sido o executivo a optar posteriormente pela retirada do ponto.
“Todos estivemos, até ao dia de hoje, à espera que o ponto voltasse com a correção devido a uma questão legal. E, efetivamente, o número é este. Confirmamos. É este o terreno”, afirmou.
António João Santos insistiu que a bancada nunca chegou a votar nem a discutir a cedência e deixou aberta a possibilidade de o assunto regressar à Assembleia caso a associação volte a manifestar interesse.
“Se realmente há uma associação que quer fazer essa proposta, que tem esse acordo discutido, tragam o ponto à discussão. Nós nunca votámos o ponto, nunca discutimos o ponto”, reforçou.
Um projeto que vinha de trás
A intenção de dar nova vida ao antigo campo de futebol é anterior à discussão de abril. Em 2025 chegou a ser apresentado um projeto para transformar o chamado “campo da bola” num espaço de jogos e lazer aberto à população, recuperando uma ideia antiga do saudoso Armando Dionísio.
Ricardo Martins, então presidente da Comissão de Festas de Macinhata da Seixa, era já um dos rostos da iniciativa, que previa criar condições para diferentes modalidades e outras atividades comunitárias.