27 May 2026
No Dia Municipal do Bombeiro, corporações de Oliveira de Azeméis e Fajões foram homenageadas, mas deixaram alertas sobre a falta de meios e apoios
No Dia Municipal do Bombeiro em Oliveira de Azeméis, bombeiros deixaram novamente o alerta
O Dia Municipal do Bombeiro em Oliveira de Azeméis ficou marcado por homenagens aos operacionais das corporações de Oliveira de Azeméis e Fajões, mas também por alertas sobre os desafios que continuam a marcar o setor
A intervenção mais incisiva foi a de Jorge Pinho, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fajões, que defendeu que o reconhecimento aos bombeiros deve ir além das cerimónias. O dirigente alertou para as dificuldades na renovação da frota, lembrando que ambulâncias e veículos de combate a incêndio acumulam quilómetros e avarias, exigindo elevados custos às associações.
“Não podemos continuar a exigir prontidão máxima com meios mínimos”, afirmou, defendendo mais investimento, planeamento e compromisso institucional na proteção civil municipal. Jorge Pinho sublinhou ainda que “homenagear os bombeiros uma vez por ano não basta” e apelou à criação de incentivos concretos para os operacionais, nomeadamente no apoio social, habitação, benefícios fiscais, educação e transportes.
Também João Pinho, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis, destacou que a missão dos bombeiros é muitas vezes dada como garantida. Recordou a história da corporação oliveirense, fundada em 1906, e deixou uma frase simbólica: “O nosso trabalho, só porque é dado, não significa que não tenha valor”.
O comandante António Justino, dos bombeiros de Oliveira de Azeméis, e Armando Pinho, dos bombeiros de Fajões, centraram as suas intervenções na dimensão humana da missão, no papel das famílias e na exigência crescente das operações de socorro, agravada pelas alterações climáticas e por fenómenos extremos.
No encerramento, o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Jorge, reconheceu a legitimidade das preocupações apresentadas e defendeu que é necessário passar “do plano discursivo para o plano efetivo”. O autarca referiu como exemplos de apoio a disponibilização de equipamentos de proteção individual, motobombas de grande capacidade e outro material para as corporações.
A cerimónia incluiu ainda a entrega de medalhas municipais de mérito e dedicação a bombeiros com vários anos de serviço, distinguindo elementos das corporações de Oliveira de Azeméis e Fajões com percursos entre os 15 e os 34 anos de dedicação à comunidade.
“Somos todos pelos bombeiros. Eu também já precisei dos bombeiros. Sei bem o que é estar 24 horas ao dispor de uma causa. Claro que todos queríamos muito mais, queríamos que as nossas corporações tivessem outros meios.”
Pedro Marques, PSD
“Os nossos bombeiros estão para nós 365 dias por ano e nós também devemos estar para eles 365 dias por ano. (...) Temos de estar para os bombeiros todos os dias do ano. (...) Tenho uma enorme gratidão pelo trabalho que os nossos bombeiros profissionais e voluntários fazem”
Ema Azevedo, CHEGA