24 Feb 2026
A junta de Nogueira do Cravo deixou conselhos à população no âmbito dos assaltos que se têm verificado na freguesia e arredores
O presidente da Junta alertou no final para o aumento de casos de assalto na freguesia e pediu cautela à população
A Assembleia de Freguesia de Nogueira do Cravo, no concelho de Oliveira de Azeméis, aprovou por unanimidade, na sessão extraordinária de 24 de fevereiro, um conjunto de medidas de gestão patrimonial e dinamização de espaços públicos. A reunião ficou marcada por um debate político aprofundado sobre o destino do antigo jardim-de-infância e terminou com um alerta do executivo para o aumento recente de furtos na freguesia.
A sessão, presidida por Pedro Paiva, contou com varias propostas para rentabilizar espaços que são propriedade da freguesia, entre os quais o arrendamento do antigo consultório junto à Casa das Associações, com renda base de 350 euros mensais.
O procedimento deverá funcionar por apresentação pública de propostas e eventual licitação entre interessados, permitindo elevar o valor caso surjam ofertas superiores, conforme foi explicado durante o debate em assembleia.
O executivo prevê ainda criar no antigo jardim-de-infância um “espaço da vila” na antiga cozinha para eventos comunitários e aniversários, com preço previsto de cerca de 90 euros por dia, e permitir a utilização do ginásio por um jovem da freguesia para atividades desportivas.
Manuel Rebelo sublinhou que o objetivo é dar utilidade a património devoluto e reforçar receitas locais, defendendo que “queremos rentabilizar o nosso espaço, porque aquilo é de todos nós e só é bom para a freguesia”.
O ponto relativo ao arrendamento do antigo jardim-de-infância gerou o debate político mais intenso da sessão, por recuperar a controvérsia do mandato anterior, quando o então executivo socialista procurou instalar no edifício uma resposta de infância através de arrendamento a uma instituição.
Gaspar Almeida recordou que o PS defendia essa solução e considerou que a atual proposta confirma a posição que o partido assumia na altura, quando a AD votou contra. O eleito socialista sustentou que a freguesia perdeu uma valência educativa e uma oportunidade de requalificação do edifício sem custos, afirmando que “afinal estávamos certos” e reiterando que a intenção sempre foi criar uma resposta social inexistente localmente.
O atual executivo respondeu que a discordância da AD na altura não se prendia com o princípio do arrendamento, mas com o modelo contratual então proposto. Segundo foi explicado em assembleia, o acordo previa um período inicial de vários anos com renda simbólica na ordem dos 50 euros mensais, apenas passando depois para valores próximos dos 500 euros, o que foi considerado desfavorável para a freguesia.
A maioria defendeu que a solução agora apresentada é substancialmente diferente, por assentar desde o início em valores de mercado — cerca de 550 euros mensais — mantendo simultaneamente a vocação educativa do edifício. Manuel Rebelo afirmou que o executivo atual procura “rentabilizar o espaço que é de todos”, rejeitando comparações diretas com o modelo anterior.
Apesar das críticas políticas, o PS votou favoravelmente a proposta, sublinhando que continua a considerar importante dar utilização ao edifício e gerar receita para a freguesia.
No período de intervenção do público, vários moradores colocaram questões relacionadas com a degradação de caminhos após as intempéries, problemas de drenagem em ruas, necessidade de espelhos rodoviários em entroncamentos e a presença de cabos elétricos e de telecomunicações soltos. O executivo confirmou que está a elaborar um levantamento para reportar à Câmara Municipal e às operadoras responsáveis.
Já no final da sessão, o presidente da junta deixou um aviso direto à população sobre segurança na freguesia, referindo que “temos tido algo de assaltos nos últimos tempos e nos últimos meses…”.
O autarca indicou que têm ocorrido prejuízos recentes, apelando à atenção dos moradores, embora sem detalhar casos concretos na reunião.
Ainda durante o período do público foi apresentada a proposta de alterar o horário das assembleias para sábado à tarde, com duração máxima definida, visando aumentar a participação cívica. A mesa admitiu que a sugestão poderá vir a ser testada em futuras sessões.
A assembleia extraordinária terminou com a aprovação unânime de todos os pontos, num clima de consenso nas decisões formais, apesar das divergências políticas em torno do passado do jardim-de-infância e das preocupações manifestadas pela população sobre infraestruturas e segurança local.