26 Sep 2026
Francisca Loureiro alertou para o risco de perda do histórico municipal na transição para o novo site da câmara.
A substituição do atual site da câmara municipal levantou dúvidas na Assembleia Municipal sobre o destino de anos de informação ali armazenada. Francisca Loureiro, da AD (PSD/CDS-PP), alertou para a ausência, segundo afirmou, de uma exigência explícita no caderno de encargos que obrigue à passagem de todo o histórico para a nova plataforma.
O futuro da informação acumulada no atual portal do município foi colocado em cima da mesa por Francisca Loureiro (AD), que começou por criticar a demora na renovação da presença digital da autarquia.
A eleita afirmou que o site se mantém praticamente sem evolução tecnológica desde 2017 e considerou que a questão vai além da imagem ou da estética, apontando também preocupações relacionadas com a segurança e a atualização tecnológica.
Francisca Loureiro saudou, ainda assim, o lançamento do procedimento para a criação de um novo site. A preocupação, explicou, está agora naquilo que acontecerá ao conteúdo existente.
"O site da autarquia não pertence ao executivo do momento. É o repositório da atividade municipal e deve preservar o trabalho realizado antes e depois de 2017", sustentou.
Francisca Loureiro afirmou ter analisado o caderno de encargos e disse não ter encontrado uma exigência explícita que determine a transposição integral da informação existente para a futura plataforma.
"Queremos acreditar que se trata apenas de um lapso na redação do caderno de encargos que tem de ser atempadamente corrigido", afirmou, defendendo que seja garantida a preservação da documentação e dos registos da atividade municipal.
A deputada municipal referiu ainda que o procedimento terá sido dividido em dois lotes e que apenas um avançou ou foi adjudicado, questionando em que ponto se encontra o processo e quando estará o novo site em funcionamento.
"Um concelho sem memória é um concelho sem identidade. Quem não respeita o passado não compreende o presente e dificilmente saberá construir o futuro", rematou.
"Não há nenhuma tentativa de limpar o histórico"
Joaquim Jorge afastou qualquer intenção de eliminar informação acumulada no atual portal.
"Não há nenhuma vontade de limpar históricos", assegurou o presidente da câmara, defendendo que a transferência de informação entre plataformas é uma obrigação sempre que tecnicamente possível.
O autarca ressalvou que poderão existir limitações decorrentes da utilização de tecnologias diferentes, mas deixou clara a orientação que pretende para a migração dos conteúdos.
"Aquilo que eu espero é que a informação que seja passível seja transferida. Não há nenhuma tentativa de limpar o histórico, de limpar a memória", afirmou.
Joaquim Jorge considerou ainda que a utilização da internet se alterou e que os sites institucionais tradicionais têm hoje menor procura, com os utilizadores a recorrerem cada vez mais a plataformas e outros veículos digitais para obter informação.