Núcleo de Atletismo de Cucujães quer celebrar 50 anos “em comunidade” e abrir caminho às novas gerações

Cucujães

Rita Araújo, Samuel Brandão, Joaquim Correia e Ana de Jesus (da esquerda para a direita)

Núcleo de Atletismo de Cucujães abre amanhã, dia 15, um ciclo comemorativo das suas bodas de ouro. Ao longo de um ano a associação assinalará meio século com um ciclo de eventos que revelou em conferência de imprensa.

O Núcleo de Atletismo de Cucujães arranca com as comemorações dos 50 anos com um programa que olha para a história do clube, mas também para o futuro da associação e do atletismo no concelho. “Temos uma bonita história, mas também temos a responsabilidade de garantir um presente sustentável, aberto às novas gerações”, afirmou Joaquim Correia, presidente da direção, na conferência de imprensa de apresentação do aniversário.


Programa cruza memória e futuro


O programa inclui jantar de aniversário na Quinta do Torreão, gala solene, exposição “50 anos, cinco décadas”, jornal comemorativo, Sunset Jovem, cinema ao ar livre, inauguração do Museu do Atletismo de Oliveira de Azeméis e, no próximo ano, um seminário sobre o movimento associativo.
Samuel Brandão, elemento da direção, explicou que as comemorações foram pensadas em três eixos: “olhar para a história, celebrar o presente e refletir sobre o futuro”. A gala e o jornal comemorativo vão recuperar pessoas, conquistas e memórias do NAC, enquanto o museu pretende ir além do clube e reunir referências do atletismo de todo o concelho.


Sede quer abrir-se à comunidade


Ana de Jesus, presidente da assembleia geral, sublinhou que a sede deve ser mais do que a casa do NAC. “Este espaço é também das pessoas, não é só do NAC”, disse, defendendo que a associação quer abrir portas a iniciativas culturais, convívios e momentos de participação comunitária.
A aproximação aos jovens é uma das preocupações centrais. O Sunset Jovem surge como tentativa de levar novas gerações à sede e de lhes mostrar que o movimento associativo também pode ser espaço de convívio, debate e responsabilidade cívica. Ana de Jesus reconheceu que captar atletas ainda é possível, mas encontrar jovens disponíveis para assumir órgãos sociais é “a grande reflexão” que atravessa o associativismo.

Joaquim Correia lembrou que o clube passou por tempos em que treinava “do mato à estrada” e que hoje tem casa própria, embora ainda sem espaço para todas as disciplinas do atletismo.

Ana de Jesus admitiu também que a associação teve de fazer opções financeiras para concluir a obra da sede, o que reduziu a margem para responder a outras necessidades ligadas à prática desportiva. A dirigente considerou que o atletismo continua a ter menos visibilidade e menos capacidade de atrair apoios do que outras modalidades.

Mais do que anunciar grandes projetos para os próximos anos, Ana de Jesus deixou uma prioridade para o aniversário: “Queria muito que o NAC celebrasse estes 50 anos em comunidade.”

 

50 ANOS ENTRE ORGULHO E RESPONSABILIDADE “O NAC inicia dia 15 as comemorações dos seus 50 anos. É um momento que nos enche de orgulho e de responsabilidade, pois temos uma bonita história, mas também temos a responsabilidade de garantir um presente sustentável, aberto às novas gerações. Só com elas o NAC continuará a ter uma história de sucesso para si, para Cucujães e para Oliveira de Azeméis.” Joaquim Correia, presidente da direção do NAC.


UM PROGRAMA ENTRE PASSADO, PRESENTE E FUTURO “Na construção do programa tivemos o cuidado de olhar para a história, celebrar o presente e refletir sobre o futuro. Vamos ter uma gala solene das comemorações dos 50 anos, uma exposição com o tema ‘50 anos, cinco décadas’ e vamos lançar um jornal com os maiores feitos e glórias do NAC. Para celebrar o presente, temos o jantar de aniversário, o Sunset Jovem, cinema ao ar livre e a inauguração do Museu do Atletismo. Para pensar o futuro, decidimos organizar um seminário, no próximo ano, sobre o movimento associativo, com as suas virtudes e desafios.” Samuel Brandão, elemento da direção do NAC.


“NÃO HÁ FUTURO SEM PASSADO” “Queremos trazer à sede as pessoas, as vivas e algumas memórias a título póstumo, que marcaram o NAC e a sua história ao longo destes 50 anos. Costumamos dizer que não há futuro sem passado e temos muito que agradecer a todas as pessoas que passaram por cá. Sei que os tempos modernos são muito digitais, mas acho que faltava ficar aqui qualquer coisa materializada dos grandes momentos do NAC.” Ana de Jesus, presidente da assembleia geral do NAC.

António Pinho recordado como “pilar” do NAC


António Pinho foi lembrado na conferência de imprensa como figura central na história do Núcleo de Atletismo de Cucujães. Ana de Jesus, presidente da assembleia geral, definiu-o como “o pilar do NAC”, fundador, mentor e orientador da associação durante o tempo em que esteve ligado ao clube.
A dirigente admitiu que perder alguém com essa liderança foi difícil para a coletividade, mas defendeu que a continuidade do trabalho é também uma forma de homenagem. “Os alicerces estremecem, mas, como homenagem a ele, achamos que devemos continuar esta obra”, afirmou.
Joaquim Correia, presidente da direção, também evocou António Pinho ao falar da nova sede e do centro de treinos. Disse que gostaria que o antigo dirigente estivesse presente para celebrar os 50 anos do NAC e para ver o espaço concluído. “Não era eu que cortava a fita, era o António”, afirmou, numa referência ao papel que lhe reconhece na construção da história da associação.


O MUSEU QUER CONTAR A HISTÓRIA DO ATLETISMO CONCELHIO “O museu não é um museu do NAC. É um museu do atletismo de Oliveira de Azeméis. Vamos criar, dentro desta sede, espaços onde teremos memórias dos vários clubes de atletismo do concelho. Estamos a fazer contactos para que nos possam proporcionar, mesmo temporariamente, um troféu, uma camisola ou uma notícia, de forma a que quem vier visitar não fique só com a noção do palmarés do NAC, mas também de outros clubes de atletismo do concelho.” Ana de Jesus, presidente da assembleia geral do NAC.


A SEDE COMO ESPAÇO DA COMUNIDADE “Fora do desporto, também temos o departamento cultural, e não se pode falar de cultura se não houver esta interligação com a comunidade. A ideia é as pessoas saberem que este espaço também é delas, não é só do NAC. É um espaço aberto a todos aqueles que quiserem vir cá e precisarem de uma sala para fazer uma noite de poesia ou qualquer coisa. Falam com o NAC e teremos todo o gosto em ceder o espaço.” Ana de Jesus, presidente da assembleia geral do NAC.


O DESAFIO DE CHAMAR OS JOVENS “Para a prática do desporto, ainda se conseguem alguns atletas. Agora, os jovens hoje estão muito numa de querer praticar desporto, mas não querer assumir a obrigação de gerir uma associação. Essa é a grande reflexão que o movimento associativo tem de fazer. Temos dificuldade em ter órgãos sociais renovados, com novas ideias e novas pessoas. O desafio é que os jovens venham cá por outras razões, para ouvir música, conviver e perceberem que podem encontrar aqui um espaço para refletir sobre o que lhes interessa. O NAC quer ser uma associação de desporto, mas quer ser muito mais do que isso.” Ana de Jesus, presidente da assembleia geral do NAC.


“AS PAREDES NÃO PASSAM DE PAREDES” “O NAC tinha uma noção muito clara: sem uma nova instalação não conseguia garantir estas novas gerações. Não tínhamos condições mínimas para sermos atrativos. Mas as paredes não passam de paredes. Se não tiverem pessoas, não serão para nada. O que espero é que estas paredes sejam um convite a que os jovens venham continuar este percurso e escrever a história dos próximos 50 anos.” Ana de Jesus, presidente da assembleia geral do NAC.


DO MATO À ESTRADA ATÉ À CASA PRÓPRIA “Nós vimos do mato à estrada, onde os treinos eram feitos, mas sempre com sabedoria e com bons atletas. O nosso objetivo era ter um espaço onde pudéssemos estar na nossa própria casa, fazer as nossas coisas no nosso espaço. O centro de treino já nos acolhe e já sabemos que é lá que temos de estar, mas não chega. Dá para fazer um pouco de velocidade, lançamentos ou saltos, mas não temos espaço para determinadas provas. Ainda assim, sentimo-nos satisfeitos por aquilo que alcançámos nestes 50 anos.” Joaquim Correia, presidente da direção do NAC.


“O FOCO NÃO ESTÁ NO ATLETISMO” “O dinheiro está onde está o foco. E, neste momento, o foco não está no atletismo. O foco está no futebol.” Ana de Jesus, presidente da assembleia geral do NAC.


ATLETISMO PRECISA DE ESPAÇO E CONDIÇÕES “O atletismo tem várias vertentes. Muitas vezes precisa de saltadores, de atletas para outras áreas, e temos de sair da nossa zona para preencher a equipa. Para formar um atleta na vara, por exemplo, muitas vezes não temos condições para o criar em casa. O atletismo precisa de espaço. Treinar à volta do campo de futebol não é solução.” Joaquim Correia, presidente da direção do NAC.


ESCOLAS PODEM AJUDAR A MUDAR MENTALIDADES “O início de formar a mentalidade das pessoas pode começar nas escolas. As escolas deveriam apostar e os professores de Educação Física deveriam incentivar os jovens, porque esta é uma área importante. O NAC teve responsabilidade em levar o atletismo às escolas, para que as crianças vissem que o atletismo não é só correr. Tem saltos, lançamentos e muitas coisas bonitas que se podem fazer.” Joaquim Correia, presidente da direção do NAC.


“QUERIA QUE OS SÓCIOS USUFRUÍSSEM DOS 50 ANOS” “Queria muito que o NAC celebrasse estes 50 anos em comunidade. Neste momento não me apetece pensar em grandes projetos. Apetece-me comemorar toda esta história com as pessoas, para elas nos conhecerem melhor e virem à nossa casa. Isso é semear presença, amizades e alguma coisa positiva. Como presidente da assembleia geral, quero que os sócios usufruam dos 50 anos e se divirtam nos 50 anos.” Ana de Jesus, presidente da assembleia geral do NAC.

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