18 Jun 2026
Futebol Futebol Clube Cesarense
A transição dos atletas da formação para as equipas seniores dentro de mesmo emblema é um problema transversal a muitos clubes
Mundialito Cesaz 2026
O Mundialito CESAZ nasceu para promover o futebol de formação, pelo que a questão torna-se pertinente: que futuro terá o FC Cesarense se não transformar a formação na base do seu projeto desportivo?
A reflexão surgiu sobretudo pela voz de Francisco Murcela, coordenador da Formação do clube, que falou dos desafios de captar atletas, consolidar a estrutura formativa e criar uma ponte real entre os escalões jovens e a equipa sénior.
Segundo Murcela, a formação atravessa uma fase de reconstrução depois do fim da ligação à Dragon Force. “Este ano para nós é o ano zero”, afirmou. Ainda assim, o responsável diz que os primeiros sinais são positivos: “Já conseguimos praticamente, não digo duplicar, mas acrescentar de 90 atletas para 142.”
Dos juniores aos séniores
O crescimento não resolve tudo. Para Murcela, o maior problema aparece quando os jovens chegam aos escalões finais da formação e não veem uma saída clara para a equipa principal. “Chegamos à parte dos juniores e não se vê uma saída para eles”, afirmou. “É aqui que eu acho que a direção deve ter essa sensibilidade.”
O coordenador considera que essa falta de ligação pode afastar atletas e famílias. Na sua opinião, o clube tem de criar um caminho mais visível entre a formação e os séniores, até porque isso reforçaria a própria identidade do Cesarense.
“Se conseguíssemos ter numa equipa sénior uma grande maioria dos atletas que sejam da terra, de certeza absoluta que havia muito mais gente a ver os jogos, havia muito mais gente a ajudar e havia muito mais gente a querer estar no futebol”, defendeu.
“A formação não é uma despesa”
A defesa da formação surge também por razões estruturais. Murcela lembra que o FC Cesarense é um clube certificado e que o futebol jovem não pode ser tratado como uma área secundária.
“Sem formação não pode haver futebol sénior”, afirmou. Por isso, rejeita a ideia de que os escalões jovens sejam apenas um encargo para o clube: “A formação não é uma despesa. A formação é o investimento.”
O coordenador diz que o Cesarense tem boas infraestruturas e está a tentar reforçar a qualidade do trabalho técnico. “Quem está na coordenação tem feito um esforço titânico para que consigamos ter os melhores treinadores”, sustentou.
Torneio também mostra o clube
O Mundialito aparece, neste contexto, como uma montra daquilo que o clube quer construir. Murcela assume que torneios desta natureza têm também uma função financeira, mas sublinha que servem para mostrar o projeto, captar atletas e aproximar famílias.
Luís Pinho, presidente da direção do FC Cesarense, reforçou essa dimensão no arranque da prova, ao destacar a operação montada para receber jogos em vários campos ao mesmo tempo. “Está tudo a correr bem”, disse, lembrando que o novo modelo em dois fins de semana está a ser testado pela primeira vez.
Renato Castro, vice-presidente da Formação, também apontou para a necessidade de ajustar o futuro do Mundialito. O dirigente considera que o torneio deve encontrar um modelo mais equilibrado, num calendário cada vez mais sobrecarregado por eventos semelhantes.
Já os padrinhos Manuel Francisco e Justino Marques trouxeram outra preocupação: o papel dos pais e o ambiente em torno da formação. Ambos defenderam que os jovens devem competir, mas também divertir-se, aprender e crescer sem excesso de pressão.
As declarações recolhidas pelo Correio de Azeméis/ Azeméis TV no primeiro fim de semana do Mundialito mostram que a prova é mais do que um torneio. É também um ponto de observação sobre o futuro do FC Cesarense, a relação entre formação e equipa sénior e a forma como o clube quer continuar ligado à freguesia.
FORMAÇÃO É MUITO MAIS DO QUE FUTEBOL. “O futebol na formação tem uma capacidade única de aproximar pessoas. Ensina-nos a trabalhar em equipa, a respeitar adversários, a lidar com vitórias e derrotas e, acima de tudo, a crescer enquanto seres humanos. Os atletas precisam disto, precisam de largar o telemóvel e de atividades que os ajudem a crescer como pessoas.”
Francisco Murcela, coordenador da Formação do FC Cesarense.
O FUTURO PODE PASSAR PELO FIM DE JUNHO. “Junho está a ficar inundado de torneios. Qualquer clube faz um torneio e isso cria muitas dificuldades na captação de equipas e até de árbitros. Na minha opinião, o Mundialito deve realizar-se no último fim de semana de junho, porque há menos pressão e menos concorrência de outros torneios.”
Renato Castro, vice-presidente da Formação do FC Cesarense.
SEM AJUDA NÃO É POSSÍVEL. “Só conseguimos fazer isto porque temos grandes patrocinadores, apoio da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia e ajuda de muita gente. A formação do Cesarense está toda a trabalhar, há amigos do clube a trabalhar e sem eles não fazia nada."
Luís Pinho, presidente da direção do FC Cesarense.
TODOS GANHAM COM O CONVÍVIO “Estes torneios servem para desenvolver a juventude, para a pôr a praticar desporto e a conviver. Há competição, porque ninguém gosta de perder, mas no final todos ganham porque isto é um momento de convívio para os miúdos, para os treinadores, para os pais e para os clubes.”
Manuel Francisco, padrinho do Mundialito CESAZ 2026.
DEIXEM OS TREINADORES TREINAR. “Os pais têm de confiar naquilo que os treinadores estão a fazer para o desenvolvimento das crianças. Primeiro eles têm de estudar e divertir-se a jogar futebol. Se serão craques ou não, o tempo o dirá.”
Justino Marques, padrinho do Mundialito CESAZ 2026.