31 Jul 2026
O subchefe Aníbal Pereira, pai de Jorge Melo Pereira, 2.º Comandante dos Bombeiros de Oliveira de Azeméis (2001-2005), ladeado pelos comandantes, já falecidos, Ramiro Alegria e Elísio Ferreira
> Aníbal Pereira lançou os bombeiros de Arouca e Fajões
Discreto e distante dos holofotes, o antigo bombeiro de Oliveira de Azeméis transmitiu os seus conhecimentos às primeiras gerações de Arouca e Fajões. O seu nome permanece ligado à expansão do socorro no território.
Quando os antigos comandantes dos Bombeiros Voluntários de Arouca Floriano Amaral e José Gonçalves foram distinguidos na II Gala da Federação dos Bombeiros do Distrito de Aveiro, a homenagem recuperou também, ainda que indiretamente, a memória de quem ajudou a preparar aquela primeira geração. Aníbal Pereira, então subchefe dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis, foi o instrutor dos primeiros bombeiros da corporação arouquense.
Arouca foi apenas uma das marcas deixadas num percurso feito sobretudo longe dos holofotes. Durante décadas, Aníbal Pereira desempenhou funções de instrução e formação em Oliveira de Azeméis, transmitindo conhecimentos a sucessivas gerações de voluntários. Mais tarde, voltou a assumir um papel semelhante na preparação dos primeiros elementos dos Bombeiros Voluntários de Fajões.
O seu percurso seria concluído no Quadro de Honra dos Bombeiros de Oliveira de Azeméis, com o posto de segundo comandante. Segundo o testemunho do filho, Jorge Melo Pereira, foi também um dos pilares dos comandantes Alegria, Carvalho e Elísio Coelho, embora tenha mantido sempre uma postura discreta.
De Oliveira de Azeméis para Arouca
Os Bombeiros Voluntários de Arouca foram fundados em 11 de abril de 1977. O primeiro grupo da nova corporação recebeu formação ministrada por Aníbal Pereira, então integrado nos Bombeiros de Oliveira de Azeméis.
Entre esses primeiros elementos encontravam-se Floriano Amaral e José Gonçalves, que viriam a assumir funções de comando e a ingressar no respetivo Quadro de Honra. A homenagem que receberam em 2026 reconheceu percursos de liderança, dedicação e serviço à população, mas permitiu igualmente recordar o homem que participou na sua preparação inicial.
Numa época em que os meios de formação e as estruturas de proteção civil estavam longe da realidade atual, os conhecimentos eram frequentemente transmitidos através da colaboração entre corporações. Bombeiros mais experientes deslocavam-se a outros territórios para preparar novos voluntários e ajudar a colocar de pé estruturas de socorro ainda em formação. Aníbal Pereira foi um desses homens.
O contributo para os Bombeiros de Fajões
Cinco anos depois da criação da corporação de Arouca, o bombeiro oliveirense participou na formação dos primeiros elementos de Fajões. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fajões nasceu em 13 de julho de 1982, embora já funcionasse naquele local, desde 11 de outubro de 1978, uma secção avançada dos Bombeiros de Oliveira de Azeméis. O corpo de bombeiros seria oficialmente reconhecido em 10 de julho de 1985.
O papel de Aníbal Pereira encontra-se registado numa ata da Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis. Na sessão descentralizada realizada em Fajões, em 29 de junho de 2019, Jorge Pereira recordou a ligação do pai àquela corporação.
«Os primeiros bombeiros desta casa foram instruídos e formados pelo então Chefe Aníbal Pereira, da corporação de Oliveira de Azeméis, meu pai», declarou o então deputado municipal.
O testemunho deixa documentada uma ligação que atravessa várias décadas da história local: antes de Fajões dispor de uma corporação autónoma, os Bombeiros de Oliveira de Azeméis já asseguravam presença naquele território; depois, um dos seus operacionais ajudou a formar os homens que dariam continuidade ao serviço.
Uma memória fora dos holofotes
Aníbal Pereira pertenceu a uma geração cujo trabalho nem sempre ficou acompanhado por registos públicos, fotografias ou homenagens. A sua influência mede-se também pelos percursos daqueles que formou e pelas estruturas que ajudou a consolidar.
Ao recordar o pai, Jorge Melo Pereira descreve-o como alguém com uma capacidade particular para transmitir conhecimentos e lamenta que o seu contributo não tenha recebido o devido reconhecimento na história pública da instituição.
A memória do antigo subchefe não se resume, contudo, a uma distinção que ficou por fazer. Está presente nas gerações de bombeiros que ajudou a preparar, em Oliveira de Azeméis, Arouca e Fajões, e no serviço que essas corporações continuam a prestar às populações.