25 Jun 2026
> Helena Terra
Imaginarão que vou falar de sol, bom tempo, praia, descompressão numa esplanada à beira-mar… não. Não vou escrever sobre isso.
No passado fim de semana decorreu no velódromo nacional de Sangalhos, em Anadia, o 43º congresso do PSD. A figura central é Luís Montenegro, o presidente do partido e atual primeiro-ministro de Portugal. Os elefantes na sala são o recente chumbo da lei laboral e as, cada vez mais frequentes, aparições de Pedro Passos Coelho.
Habitualmente, os congressos partidários realizados quando o líder do partido é primeiro-ministro são congressos chamados de aclamação ou de cumprimento de calendário. Este, quando muito, é de cumprimento de calendário.
A moção de estratégia que Luís Montenegro apresenta ao congresso só difere da “redação da Guidinha” porque, linguisticamente é cheia de anáforas e pleonasmos, além disso, não começa por “era uma vez…”, ou por “certo dia…” e a outra grande diferença é que não tem história.
Em voz alta, que o próprio pretende ser confundível com firmeza e de sorriso nervoso, mas para aparentar confiança, Luís Montenegro, logo no início disse que não era não quando, algumas vezes, passou a ser talvez e noutras acabou por ser sim, agora diz que “não é não” a acordos com o CHEGA e “não é não” a entendimentos com o PS – não ao dito Bloco Central.
Luís Montenegro vai ao congresso para ser reconfirmado, gritando para a plateia que quer levar a legislatura até ao fim, mas “dizendo para os seus botões”: Oxalá que o governo caia para haver eleições antecipadas, convencido, mas só ele, que as ganha com maioria absoluta num momento em que o seu partido cai nas sondagens e, paradoxalmente, a sua popularidade mantém-se mais ou menos estável, sendo certo que, mais de dois terços dos portugueses manifestam total descontentamento com o desempenho do seu governo.
Assim, este fim de semana, de bom, saído da bairrada apenas se pode esperar o vinho e o leitão assado. O resto, ou é para esquecer, ou para mais tarde recordar.
Por cá, na passada sexta-feira, tiveram lugar as eleições internas no PS. Foi eleito o Presidente da Federação Distrital de Aveiro, os delegados oliveirenses que irão ao congresso distrital e o novo presidente da comissão política concelhia de Oliveira de Azeméis. Quero acreditar que, do ponto de vista distrital, o mandato seja calmo porque faço votos de que a legislatura em curso vá até ao fim e não haja necessidade de eleições antecipadas.
No plano concelhio, espero alterações imprescindíveis e trabalho de preparação das eleições autárquicas de 2029. É necessário renovar sabendo o que isso significa e preparar um projeto para apresentar a sufrágio que tenha por objeto e foco a transformação do concelho inteiro e como objetivo a melhoria das condições de vida dos oliveirenses.
Com todos será sempre impossível. Por todos é romântico. Real só a esperança de que a maior união possível torne Oliveira de Azeméis e os oliveirenses mais fortes.
* Advogada