25 Sep 2026
Oliveira de Azeméis produz cerca de 25 mil toneladas de resíduos por ano e Joaquim Jorge antecipa um aumento substancial dos custos de recolha e tratamento. Na Assembleia Municipal foram ainda levantados problemas com água em contentores subterrâneos e anunciado um investimento de cerca de 12 milhões de euros até 2030.
A recolha e tratamento dos resíduos sólidos urbanos produzidos em Oliveira de Azeméis representam atualmente um custo próximo dos 4,6 milhões de euros por ano. O número foi avançado por Joaquim Jorge na Assembleia Municipal, onde o tema dos resíduos ocupou uma parte significativa do período antes da ordem do dia.
O concelho produz cerca de 25 mil toneladas de resíduos anualmente e o presidente da Câmara avisou que a fatura deverá aumentar com o novo contrato.
"Os portugueses vão ser confrontados nos próximos anos com o aumento substancial do custo da recolha, do tratamento e da própria limpeza urbana", afirmou Joaquim Jorge, relacionando o agravamento esperado com os custos da operação, a quantidade de resíduos ainda enviada para aterro e a insuficiente evolução da recolha seletiva.
O autarca admitiu que o problema ultrapassa Oliveira de Azeméis e defendeu que algumas das respostas terão de ser encontradas a uma escala sub-regional ou nacional, colocando entre as possibilidades futuras soluções como a incineração ou outras formas de tratamento.
Água detetada em contentores subterrâneos
A discussão desceu também a problemas concretos existentes no concelho. Filipe Rodrigues revelou ter enviado à ERSUC uma sequência de exposições relacionadas com dificuldades verificadas nos equipamentos de recolha seletiva.
Na resposta recebida, e apresentada pelo eleito na Assembleia, a ERSUC refere ter sido detetada presença de água no interior de contentores subterrâneos, tanto antigos como recentes, acrescentando que o problema não se limita a um único local.
A entidade apontou ainda para as reduzidas dimensões de algumas bocas de deposição, que poderão provocar o entalamento dos resíduos e criar a impressão de que o equipamento está cheio quando ainda dispõe de capacidade no interior.
Filipe Rodrigues questionou a Câmara sobre a origem da entrada de água, as medidas previstas para corrigir as anomalias e os respetivos prazos, querendo ainda saber desde quando os problemas eram conhecidos pelo município.
Joaquim Jorge assumiu que cabe à Câmara resolver os problemas eventualmente existentes na contentorização enterrada.
"Objetivamente aquilo que nós vamos procurar fazer é resolver isto. Isto compete ao município resolver, porque não há aqui que fugir de responsabilidades", afirmou.
O presidente da Câmara admitiu como uma das hipóteses para a presença de água a existência de algum lençol freático ou de uma deficiência que esteja a permitir a sua entrada nos equipamentos.
Já quanto às dimensões das bocas de deposição, afastou a ideia de que esteja aí a explicação para os problemas na colocação dos resíduos, defendendo que se trata de equipamentos utilizados em vários pontos do país.
A resposta municipal aos resíduos deverá implicar novos investimentos nos próximos anos. Joaquim Jorge apontou para cerca de 12 milhões de euros até 2030, além da necessidade de investir anualmente entre 1,2 e 1,3 milhões de euros.
Entre as medidas referidas estão novas soluções para resíduos verdes e alimentares, o reforço da compostagem doméstica e comunitária, o prolongamento da vida útil dos equipamentos e a promoção da utilização de materiais reutilizáveis.
O presidente da Câmara reconheceu, contudo, que será difícil atingir as metas estabelecidas para 2030 e defendeu que o problema terá de ser enfrentado também no âmbito da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria ou da Área Metropolitana do Porto.