11 Jun 2026
Debates - Politicamente Correto
As inscrições para as férias do Centro Lúdico levaram pais a pernoitar junto ao equipamento municipal para garantir uma das vagas disponíveis. O caso foi levantado na reunião de Câmara por João Costa e Pedro Marques, vereadores da AD, que pediram uma solução mais digna para as famílias. O executivo socialista admitiu que o modelo pode ser melhorado, mas sublinhou que o problema principal está na falta de resposta para toda a procura.
A imagem de pais a passarem a noite à porta do Centro Lúdico para inscreverem os filhos nas atividades de férias chegou à reunião de Câmara de Oliveira de Azeméis e abriu a discussão ao modelo de acesso às vagas. A transição digital dos serviços municipais e a capacidade de resposta às famílias durante a interrupção letiva acabou por vir, também, à baila.
Foi João Costa, vereador da AD, a levantar o tema: Disse ter passado pelo Centro Lúdico e reparado na forma como estavam a decorrer as inscrições. O eleito quis saber “de que forma é que esta gestão de inscrição é feita” e questionou se não haverá “outra ferramenta” que evite obrigar os pais a uma “pernoite prolongada” para garantir lugar.
A crítica ganhou força com Pedro Marques, também da AD. O social-democrata separou o mérito do projeto do método de inscrição. “O que nós estamos aqui a falar não é do projeto”, salvaguardou, considerando que o Centro Lúdico presta uma resposta procurada pelas famílias, mas que isso não torna aceitável o cenário de pais à porta durante a noite.
“A solução ideal não é dormir à porta”
Pedro Marques defendeu que Oliveira de Azeméis tem de assumir a transição digital como parte da gestão municipal. Para o vereador, não é aceitável que, em pleno século XXI, o acesso a uma resposta pública dependa da capacidade de uma família chegar mais cedo e esperar durante horas.
“Não é normal no século XXI assumir como normal uma pessoa dormir à porta do Centro Lúdico. Isto não é normal”, afirmou. O eleito reconheceu que “há 80 vagas” e que são “poucas para tanta procura”, mas insistiu que o problema exige organização e uma solução para o próximo ano. “A solução ideal não é dormir à porta”, frisou.
João Costa seguiu a mesma linha. O vereador da AD disse não pôr em causa a qualidade das atividades, nas quais também participou quando era mais novo, mas pediu “mais dignidade” no processo de inscrição. “O método é que se calhar fica um bocadinho aquém do que queríamos”, afirmou, deixando o desafio para que a Câmara encontre uma alternativa.
Executivo admite rever modelo
Rui Luzes Cabral, vice-presidente da Câmara, respondeu que não tem “soluções milagrosas” para um problema que relacionou com a forte procura. Segundo o autarca, as cerca de 70 a 80 vagas existentes foram rapidamente preenchidas, o que demonstra que a resposta é valorizada pelas famílias.
O vice-presidente afirmou que uma inscrição exclusivamente online não resolveria a falta de lugares. “As pessoas ficariam de fora na mesma, só que não pernoitavam lá”, argumentou, acrescentando que também há quem considere esse modelo injusto. Ainda assim, garantiu abertura para mudar o sistema: se surgir uma ideia “que agrade a toda a gente” e permita alterar o modelo de inscrições, será “o primeiro” a concordar.
Rui Luzes Cabral admitiu ainda soluções mistas, com parte das vagas online e outra parte presencial, mas mesmo assim não mostrou grande 'fé' nesse sistema. “Há um sem-fim de propostas”, disse, antes de concluir que o executivo está disponível para “melhorar a resposta e também a forma de chegar lá”.
Mais respostas no concelho
Hélder Simões, vereador eleito pelo PS, também reconheceu que o problema se tem agravado. Segundo o autarca, “em quatro anos foi sempre aumentando” e “as coisas em algum momento têm que ter um fim”. Para o vereador, a solução passa menos pela existência de uma plataforma informática e mais pela criação de novas respostas.
O socialista defendeu que o desafio é trabalhar com parceiros locais para espalhar mais ofertas pelo concelho, reduzindo a pressão sobre o Centro Lúdico. “Os pais querem uma resposta com aquela qualidade”, afirmou, considerando que a Câmara deve ser “promotora e indutora” de novas soluções.
Para a oposição, o próximo ano não pode repetir a mesma imagem. Para o executivo, a resposta passa por aumentar a oferta e estudar um modelo de inscrição que não substitua uma fila física por uma fila digital.
“A SOLUÇÃO IDEAL NÃO É DORMIR À PORTA” “Não é normal no século XXI assumir como normal uma pessoa dormir à porta do Centro Lúdico. Isto não é normal. Há 80 vagas, é evidente que são poucas para tanta procura, mas a solução ideal não é dormir à porta.” Pedro Marques, vereador da AD
“DAR MAIS DIGNIDADE A ESTA INSCRIÇÃO” “Eu não ponho em causa a pertinência desta atividade, muito pelo contrário. O que temos de tentar é dar um pouco mais de dignidade a esta inscrição.”
João Costa, vereador da AD
“NÃO TENHO SOLUÇÕES MILAGROSAS” “Eu não tenho grande resposta, nem soluções milagrosas para este tipo de problemas. Mas, se encontrarmos uma ideia que possa mudar este sistema de inscrições, serei o primeiro a concordar.”
Rui Luzes Cabral, vice-presidente da Câmara, PS
“O DESAFIO É TERMOS MAIS RESPOSTAS” “Se continuar esta procura, temos que trabalhar para ter mais respostas. Em quatro anos o tempo foi sempre aumentando e as coisas em algum momento têm que ter um fim.”
Hélder Simões, vereador do PS
Procura supera vagas disponíveis
O executivo indicou que as 70 vagas vagas disponíveis para as férias do Centro Lúdico foram preenchidas rapidamente. Rui Luzes Cabral defendeu que a procura mostra a qualidade da resposta, mas reconheceu que o ideal seria haver capacidade para todas as crianças e jovens que precisam de uma ocupação durante as férias escolares. Hélder Simões acrescentou que a Câmara deve trabalhar com parceiros para criar mais respostas no concelho.