Oliveira de Azeméis poderá perder 667 alunos até 2035

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A Carta Educativa liga o futuro da rede escolar à capacidade de Oliveira de Azeméis atrair investimento, criar emprego qualificado e fixar famílias, apontando a habitação acessível como uma das respostas à quebra demográfica

Carta Educativa aponta descida da população escolar

A nova Carta Educativa será discutida na reunião de câmara amanhã, dia 13, e aponta uma descida da população escolar, pressão nas creches, requalificação de equipamentos e reforço do ensino profissional ligado às empresas

Oliveira de Azeméis poderá perder 667 alunos até ao ano letivo 2035/2036, segundo as projeções da nova Carta Educativa 2026/2035. 

O documento estima que o total de alunos passe de 6.448 em 2022/2023 para 5.781 em 2035/2036, confirmando uma tendência de quebra que obriga o município a repensar a rede escolar, os equipamentos educativos e a oferta formativa para a próxima década.

A nova Carta Educativa, que atualiza a de 2005, vai ser apresentada para abertura de discussão pública por 30 dias, mas primeiro estará, já amanha, sobre a mesa da reunião de câmara. 

Todos os agrupamentos perdem alunos

Tendo como referência o ano letivo 2022/2023, a Carta Educativa indica uma diminuição da população escolar já em 2025/2026, o atual ano letivo, tendência que se prolonga nos horizontes de 2030/2031 e 2035/2036. 

O documento trabalha com três cenários — baixo, central e alto —, sendo o cenário central a projeção intermédia usada como referência principal de planeamento. Nesse cenário, todos os agrupamentos perdem alunos: o Agrupamento Dr. Ferreira da Silva passa de 1.111 alunos em 2022/2023 para 996 em 2035/2036; Fajões desce de 1.084 para 972; Loureiro de 778 para 697; Soares Basto de 1.900 para 1.754; e Ferreira de Castro de 1.479 para 1.362.

No cenário baixo, mais pessimista, a quebra projetada é bem mais acentuada: Soares Basto desce para 1.702 alunos e Ferreira de Castro para 1.325 em 2035/2036.

O documento refere que o 3.º ciclo e o ensino secundário apresentam diminuição da população escolar em todos os anos analisados. Já o 1.º e o 2.º ciclos também descem em 2025/2026 e 2030/2031, embora possam registar alguma recuperação em 2035/2036 no cenário central.

Ensino profissional como aposta

O ensino profissional é assumido como uma das apostas estratégicas. Em 2022/2023, o ensino profissional público tinha 763 alunos, depois de ter atingido 822 em 2020/2021. 

Não obstante a perda, a Carta Educativa vê esta área como central para sustentar o crescimento económico qualificado do concelho e defende uma maior aproximação às empresas, incluindo através do ensino dual e de formação em contexto de trabalho. E sublinha ainda bons indicadores de sucesso nos cursos profissionais: entre os alunos com apoio ASE, a percentagem dos que concluíram os cursos em três anos chegou aos 82%, acima dos 69% registados no país para alunos com perfil semelhante.

Requalificar antes de decidir

A Carta não apresenta, nesta fase, uma lista fechada de escolas a encerrar. O que aponta é a necessidade de reorganizar, requalificar, modernizar e, quando necessário, construir equipamentos escolares. A estratégia divide-se em três eixos: intervenção na rede escolar; políticas educativas locais de qualidade, inclusão e sucesso; e reforço do ensino profissional.

Fica ainda reconhecido que a realidade demográfica, social e educativa é dinâmica e que as medidas terão de ser acompanhadas, avaliadas e ajustadas ao longo dos próximos dez anos.

Creches com listas de espera

Apesar da quebra de crianças no retrato demográfico global, a Carta Educativa identifica uma forte pressão nas respostas de creche. O documento fala numa “forte carência de oferta de lugares”, tendo em conta as listas de espera existentes.

E regista casos expressivos: Segundo dados da Carta Social de 27 de junho de 2025, citados na Carta Educativa agora em apreço, o Centro Infantil de S. Roque surge com 104 crianças em lista de espera, a Associação de Solidariedade Social de Loureiro com 60, o Centro Social Paroquial São Miguel com 40, o Centro de Apoio Familiar Pinto de Carvalho com 38 e o Patronato Santo António com 30. 

Na educação pré-escolar, a situação é descrita como mais estável, com “quase total cobertura”, mas o documento indica que à data da elaboração havia listas de espera no Centro Infantil de S. Roque, com 26 crianças, na Associação de Solidariedade Social de Loureiro, com oito, e no Centro de Apoio Familiar Pinto de Carvalho, com três.

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