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Correio de Azeméis

14 May 2026

Oliveirenses deram uma lição de urbanidade: Apelo feito por Carlos Teixeira na Azeméis TV encontrou resposta nas bancadas do Salvador Machado

Desporto Basquetebol

Carlos Teixeira pediu que os oliveirenses mostrassem que eram “gente de bem”. No Salvador Machado, a resposta chegou das bancadas

Carlos Teixeira tinha deixado o apelo na Azeméis TV: os oliveirenses deviam encher o pavilhão, apoiar a equipa e mostrar que Oliveira de Azeméis sabe receber com educação, civismo e urbanidade. “Nós somos gente de bem e somos gente educada”, afirmou o presidente da Oliveirense, em entrevista conduzida por Eduardo Costa, diretor do grupo Correio de Azeméis. A resposta chegou no segundo jogo do play-off entre Oliveirense e Ovarense, com o Pavilhão Dr. Salvador Machado cheio, uma equipa empurrada pelas bancadas e uma noite em que a rivalidade não ultrapassou os limites do basquetebol.

Antes de a Oliveirense vencer a Ovarense por 90-72 e empatar a eliminatória dos quartos de final do play-off, Carlos Teixeira já tinha feito, através da Azeméis TV e da Azeméis FM, um apelo direto aos sócios e simpatizantes do clube. Em entrevista conduzida por Eduardo Costa, o presidente da Oliveirense pediu presença forte no Salvador Machado, mas também sentido de responsabilidade na receção aos adeptos vareiros.

O caso não era para menos, tendo em conta o contexto sensível, já que  primeiro jogo, disputado em Ovar, tinha deixado marcas entre a comitiva e os adeptos oliveirenses. Carlos Teixeira foi claro ao recordar o ambiente vivido na Arena de Ovar: “Foi a primeira vez, num jogo, que eu senti medo. Sinceramente.” O dirigente disse ter visto pessoas assustadas na zona onde estavam os oliveirenses e considerou que não estavam reunidas condições de segurança suficientes para uma partida daquele nível de rivalidade.

“Quando percebi que só existiam quatro polícias e seis assistentes de segurança para aquela multidão toda”, relatou, percebeu que a situação podia fugir ao controlo. Carlos Teixeira explicou ainda que os adeptos oliveirenses foram provocados e que, apesar disso, mantiveram uma postura exemplar. “Nós fomos cuspidos. Houve indivíduos da Ovarense que vieram à nossa bancada cuspir quando estavam lá crianças e jovens. Eu não admito isto”, afirmou.

Mesmo com esse enquadramento, a mensagem deixada antes do segundo encontro não foi de retaliação. Pelo contrário. Carlos Teixeira pediu aos oliveirenses que respondessem com elevação. “Vamos provar que não somos vingativos”, disse, defendendo que a Oliveirense devia receber bem os adeptos da Ovarense e mostrar outra forma de viver a rivalidade.

Eduardo Costa reforçou a mesma ideia durante a entrevista, enquadrando o jogo em Oliveira de Azeméis como uma oportunidade para dar uma resposta diferente. “Quarta-feira, na receção à Ovarense, vamos provar que somos gente de bem”, afirmou o diretor do grupo Correio de Azeméis, defendendo que a receção devia ser feita “de uma forma cordial, educada e civilizada, sobretudo”.

Pavilhão cheio e resposta nas bancadas

A Azeméis TV acabou, assim, por servir de palco a um apelo público que ultrapassou a antevisão desportiva. Mais do que falar de uma partida decisiva, a entrevista colocou no centro a imagem da Oliveirense, dos seus adeptos e da própria cidade. Carlos Teixeira pediu apoio, mas também responsabilidade: “O importante era apelar às pessoas, aos nossos sócios e simpatizantes, independentemente do hóquei, do futebol e do basquete, que nós precisamos do apoio dos oliveirenses para a nossa equipa ganhar à Ovarense.”

A resposta viu-se no Salvador Machado. O pavilhão encheu, os adeptos apoiaram de forma intensa e a Oliveirense encontrou nas bancadas a energia de que precisava para responder à derrota sofrida no primeiro jogo. A equipa venceu, empatou a eliminatória e levou a decisão para a “negra”, mas a noite ficou também marcada pela forma como o ambiente foi gerido.

A rivalidade esteve presente, como sempre acontece num dérbi entre Oliveirense e Ovarense, mas o jogo decorreu sem incidentes de maior. O dispositivo de segurança, a separação de adeptos e a postura geral do público ajudaram a transformar uma noite de alta tensão competitiva numa demonstração de força coletiva da Oliveirense e dos oliveirenses.

No final, Carlos Teixeira fez questão de sublinhar precisamente esse ponto. O presidente da Oliveirense considerou que o clube demonstrou saber receber e que a competição ficou dentro do campo e nas bancadas, como deve acontecer no desporto. “Eu acho que a nossa gente é assim, nós sabemos receber”, afirmou, satisfeito com a forma como o jogo decorreu.

Do apelo ao exemplo

A entrevista dada à Azeméis TV ganhou, por isso, uma leitura reforçada depois do jogo. O que Carlos Teixeira pediu antes da partida encontrou correspondência no comportamento dos adeptos e na resposta da cidade. O presidente tinha apelado a uma casa cheia, a apoio à equipa e a uma demonstração de civismo. O Salvador Machado respondeu com ambiente de play-off, apoio constante e uma receção que permitiu recentrar o dérbi no basquetebol.

Carlos Teixeira tinha sido taxativo na antevisão: “Nós somos gente de bem e somos gente educada.” A frase acabou por funcionar quase como palavra de ordem para uma noite em que a Oliveirense precisava de ganhar dentro de campo, mas também queria mostrar que sabia receber fora dele.

A vitória por 90-72 deu nova vida à Oliveirense na eliminatória, mas a noite também serviu para afirmar uma mensagem mais ampla: Oliveira de Azeméis sabe viver a rivalidade sem perder a urbanidade. Numa altura em que o dérbi com a Ovarense segue para o jogo decisivo, em Ovar, o segundo jogo deixou uma marca que vai além do resultado.

 

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