1 Mar 2026
Agora é a Resgato que precisa de ajuda (foto: Facebook Resgato)
Sociedade civil apoia "Resgato" com donativos recorde em resposta ao "não" da Assembleia Municipal
A associação de proteção animal "Resgato" conseguiu angariar mais de 83 mil euros em apenas dois dias através de uma campanha de financiamento para comprar um pavilhão e salvar os animais de um teto em risco de desabar. O objetivo é atingir os 150 mil euros. Uma impressionante mobilização da sociedade civil que surge na mesma altura em que a Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis chumbou uma recomendação proposta pela bancada do Chega visando um reforço financeiro de urgência para a coletividade.
. A braços com o risco de colapso do seu abrigo, a Associação Resgato lançou um apelo desesperado na plataforma GoFundMe: "A nossa última tentativa para continuar" tinha o objetivo quase irrealista para uma pequena associação local (angariar 150 mil euros para comprar um armazém seguro) mas a resposta está a ser avassaladora.
É que num espaço de dois dias, a instituição viu a conta de donativos pulverizar a barreira dos 83 mil euros, amealhando mais de 6.400 contribuições de cidadãos decididos a não deixar morrer o projeto. Mas para que o objetivo seja concretizado, a coletividade precisa de 150 mil euros.
Enquanto a população vai abrindo a carteira, a Assembleia Municipal chumbou um pedido do Chega para aumentar o subsídio camarário de 3 mil para 5 mil euros. Foi na última sessão do deliberativo, na passada sexta-feira: o presidente da Câmara justificou a recusa argumentando que o município não pode abrir precedentes para pedidos discricionários e sublinhando que as verbas têm de ser atribuídas com "equidade" através dos regulamentos em vigor, até porque o concelho possui mais de 300 coletividades. Uma que acabaria secundada pelos votos contra do PS, da AD e dos Independentes, mas que poderá ter inflamado ainda mais a vontade de doar por parte da comunidade.
A urgência que levou a comunidade a doar milhares de euros explica-se com a tragédia silenciosa que se vive no interior do abrigo, que no último ano foi responsável pela adoção de 395 gatos. A necessidade de comprar um armazém prende-se com o facto de a atual "casa centenária" onde operam ameaçar abater a qualquer instante.
Num duro desabafo repartilhado a poucas horas da Assembleia Municipal, a direção da Resgato abriu as portas do seu pesadelo diário. As condições, garantiram, "já não são mínimas, nem para os animais, nem para nós". O cenário descrito é de pura sobrevivência: voluntárias a enfrentar frio e humidade intensa, com "chão e paredes molhadas", e um teto encharcado que ameaça ceder.
"Chegámos a um ponto cruel: resgatamos animais da rua, e eles acabam por adoecer dentro do abrigo. O medo todos os dias é real: o teto desabar sobre os animais, sobre nós", relatou a direção da Resgato, assumindo o total desespero.
A direção da Resgato chegou a assumir a decisão mais drástica nos seus comunicados: se não houvesse uma solução a curto prazo que passasse por um novo espaço seguro, "a associação terá de encerrar".
A equipa confessou que tentou durante meses "encontrar soluções junto da Câmara" em absoluto silêncio para evitar alarmismos, mas a falta de respostas viáveis atirou-as para este "último grito de ajuda", admitindo estarem "desesperadas, exaustas, sem mais esperança" até serem surpreendidas pela onda dos 83 mil euros.
A urgência de comprar um espaço próprio ao invés de reabiltar que já existe prende-se com uma lição recente. A associação recordou que, no verão passado, fez uma angariação para "remodelar o telhado" da atual casa, mas falhou a meta. Um desfecho que as voluntárias hoje consideram providencial: "Fez-nos perceber que não faz sentido investir mais dinheiro numa casa que nunca será nossa".
Apesar das críticas das voluntárias ao silêncio do município perante a gravidade do problema, o presidente Joaquim Jorge rejeitou a narrativa de abandono no decorrer da Assembleia Municipal. O líder do Executivo garantiu que a associação "não quis foi esperar o tempo que é necessário" para obter uma resposta estruturada, enquanto a bancada do Partido Socialista afiançou que a Câmara "está a tentar arranjar uma solução" imobiliária, considerando que dar apenas mais 2 mil euros não resolveria a questão estrutural.
Enquanto a campanha na plataforma GoFundMe caminha a passos largos para a meta total dos 150 mil euros, a associação mantém ativas outras vias para quem prefere fazer doações diretas, sem o custo das taxas da plataforma internacional.
A Resgato disponibiliza o NIB (PT50 0018 0003 5288 9821 0200 8), a conta de PayPal (Associacaoresgato@gmail.com) e transferências via MBWay, que devem ser solicitadas por contacto direto em mensagem privada nas redes sociais da instituição.