18 Jun 2026
Futebol Futebol Clube Cesarense
Manuel Francisco e Justino Marques, os padrinhos do décimo CESAZ
Manuel Francisco e Justino Marques são os padrinhos do Cesaz 2026
Quando Manuel Francisco recebeu o telefonema de Renato Castro, estranhou. Não por falta de ligação ao Futebol Clube Cesarense, mas porque nunca foi homem de procurar protagonismo
“Normalmente não consigo trazer comunicação social atrás de mim, também não consigo mobilizar grandes massas de adeptos atrás de mim”, brincou durante a apresentação do Mundialito Cesaz 2026.
A surpresa durou pouco. Quando percebeu que o convite não era apenas para si, mas também para Justino Marques, e que ambos representavam uma homenagem a todos os que ajudaram a construir a formação do clube ao longo das últimas décadas, aceitou de imediato.
“Eu e o Justino íamos apenas representar todos aqueles que ao longo dos anos estiveram no Cesarense a dar um bocadinho de si”, afirmou.
A frase ajuda a perceber porque é que o FC Cesarense escolheu os dois antigos treinadores para apadrinhar a 10.ª edição do Mundialito. Acima de distinguir duas pessoas concretas, a direção quis reconhecer uma geração de dirigentes, treinadores, seccionistas, roupeiros, guardas de campo e pais que ajudaram a manter vivo o futebol de formação muito antes de existirem os meios atuais.
Quando se treinava na estrada
As memórias de Justino Marques levam a um tempo muito diferente do atual: “Foi em 1983 que comecei como treinador dos juniores do Cesarense, no velhinho Campo do Mergulhão”, recordou.
Numa época em que as condições estavam longe das que hoje existem, os treinos aconteciam muitas vezes em terrenos improvisados: “Fazia treinos na estrada, que era de terra batida”, contou.
A realidade do futebol de formação era outra. Havia menos recursos, menos equipamentos e menos apoio institucional. O que existia era sobretudo vontade de trabalhar e disponibilidade para ocupar horas e horas da vida pessoal em benefício do clube.
Ao longo dos anos, Justino Marques passou por diferentes equipas e diferentes funções. Saiu, regressou, voltou a sair e regressou novamente. Pelo meio, surgiram problemas de saúde que o obrigaram a afastar-se do futebol.
Parecia o fim de um percurso, só que não: “Tive de deixar o futebol por motivos de saúde, mas depois o Renato convenceu-me a ir treinar os miúdos de oito anos”, contou.
Uma vida inteira no mesmo clube
Se Justino Marques recorda o início dos anos 80, Manuel Francisco representa uma das mais longas ligações da história recente do FC Cesarense. Ao longo de mais de duas décadas esteve ligado à formação do clube, acompanhando gerações sucessivas de atletas.
Ângelo Silva, presidente da junta de freguesia de Cesar, até lembrou que foi quem o trouxe para o clube e recordou o período em que o Cesarense conseguiu colocar todos os escalões em competição. “Costumo dizer, na brincadeira, que ele é uma espécie de Alex Ferguson do Cesarense”, afirmou.
A comparação, feita em tom descontraído, ajuda a perceber a dimensão da permanência de Manuel Francisco na formação do clube. Durante anos, foi uma presença constante junto dos mais novos, acompanhando a evolução de atletas que entretanto se tornaram adultos, dirigentes e até treinadores.
É precisamente essa continuidade que Manuel Francisco considera mais importante: “Quando o clube olha para dentro, consegue perceber o que tem dentro e consegue avançar”, afirmou.