António Rosa, da AD, questionou a falta de calendário para as pavimentações e criticou o uso de verbas da Junta em limpezas que considera serem competência da Câmara Municipal.
António Rosa alertou para a falta de calendário nas pavimentações. Raquel Sousa diz que Ossela espera pelas máquinas da Câmara e que a Junta tenta responder aos problemas mesmo quando a competência não é sua
A falta de calendário para as pavimentações e o reforço de verbas da Junta de Freguesia para limpezas e valetas marcaram a Assembleia de Freguesia de Ossela. António Rosa, eleito da Aliança Democrática, questionou o executivo sobre o plano de pavimentações anunciado em reuniões anteriores e criticou a possibilidade de a freguesia canalizar verbas próprias para trabalhos que, no seu entender, deveriam ser assegurados pela Câmara Municipal.
Rosa considerou positivo que haja reforço financeiro para as freguesias, mas defendeu que a Câmara deve tratar as juntas como parceiras efetivas na resolução dos problemas básicos do território. Em causa esteve, sobretudo, a limpeza de vias, bermas e valetas, matéria que voltou a ser discutida num momento em que a Junta inscreveu mais 12.750 euros para serviços de limpeza e manutenção.
António Rosa perguntou se o plano de pavimentações continua válido e quando passará à execução, lembrando que o verão é o período mais adequado para avançar com este tipo de intervenção. O alerta foi deixado em tom prático: se as obras forem adiadas mais dois ou três meses, a chegada da chuva poderá voltar a dificultar ou atrasar os trabalhos.
Mais 12.750 euros para valetas
A revisão orçamental apresentada pelo executivo incorporou cerca de 56 mil euros de saldo de gerência anterior e serviu para reforçar várias rubricas consideradas insuficientes. Entre elas, a limpeza foi apresentada como uma das mais relevantes.
Pedro Castro, tesoureiro da Junta, explicou que “tem sido feito um esforço enorme para adjudicar serviços de limpeza e manutenção de valetas”, razão pela qual o executivo decidiu reforçar esta dotação em 12.750 euros.
Para António Rosa, porém, a questão não está apenas na necessidade da limpeza, mas também em perceber quem deve suportar esse encargo. O eleito da AD defendeu que, se a Câmara Municipal transfere responsabilidades para a Junta, deve transferir também os recursos correspondentes, evitando que verbas da freguesia sejam usadas para colmatar competências municipais.
Na resposta, Raquel Sousa afirmou que existe um plano de intervenção da Câmara Municipal para as freguesias e que Ossela aguarda a respetiva calendarização. A presidente da Junta disse que já pediu ao município indicação sobre quando as máquinas entrarão no território.
“As máquinas virão”, garantiu a autarca, embora sem avançar uma data. Raquel Sousa explicou que as intervenções serão definidas de acordo com critérios de prioridade, tendo em conta o estado das vias e o número de pessoas que as utilizam.
A presidente da Junta reconheceu, ainda assim, que a freguesia tem poucos meios para responder a todas as necessidades. Defendeu que a Câmara tem reforçado o apoio às juntas, mas admitiu que os recursos continuam curtos face aos problemas acumulados em vias públicas, águas pluviais, bermas e valetas.
O tema das limpezas e acessibilidades voltou no período de intervenção do público. Raquel Sousa admitiu dificuldades em garantir a limpeza de todo o território com os meios próprios da Junta. A autarca explicou que o executivo está a ponderar recorrer mais a empresas de prestação de serviços, em vez de depender apenas dos funcionários da freguesia.
“Não conseguimos de todo garantir a limpeza e a dignidade que a nossa freguesia merece”, afirmou, acrescentando que a Junta tem procurado responder aos pedidos que chegam dos moradores e que a própria presidente percorre semanalmente a freguesia para avaliar situações no terreno.
Segundo Raquel Sousa, em algumas zonas, como a das Ribeiras, já foi pedido apoio de tratores para acelerar a limpeza, por serem meios mais eficazes do que os disponíveis na Junta. A presidente explicou ainda que a estratégia poderá passar por contratualizar mais serviços externos, libertando funcionários para pequenas intervenções, respostas pontuais e tarefas de proximidade.
Junta diz que não pode esperar sempre pela Câmara
A presidente da Junta rejeitou a ideia de que a freguesia deva deixar os problemas por resolver apenas por não ter competência direta sobre determinadas matérias. Raquel Sousa afirmou que, perante uma rua degradada ou uma valeta por limpar, a Junta não pode simplesmente dizer aos moradores que a responsabilidade é da Câmara e esperar.
Mesmo quando a competência não é diretamente da freguesia, disse, o executivo procura articular com o município e usar os meios disponíveis para responder no terreno. A revisão orçamental, que inclui o reforço para limpeza e manutenção de valetas, acabou aprovada por unanimidade.
António Rosa, da Aliança Democrática, deixou ainda uma chamada de atenção à mesa da Assembleia por não ter sido realizado o período antes da ordem do dia. O eleito recordou que esse momento está previsto no regimento e serve para os membros da Assembleia colocarem assuntos que não constam da ordem de trabalhos.
O reparo surgiu já durante a discussão de um dos pontos da ordem do dia, quando António Rosa explicou que tinha um tema para colocar e que o fazia naquele momento apenas porque não tinha existido o espaço próprio para o efeito. Para o eleito, a falha deve ser corrigida nas próximas sessões, por se tratar de uma prática comum nas assembleias de freguesia e de um direito dos eleitos.