Outras Visões Políticas

CDU

> Vítor Januário (CDU)

E O PACOTE FOI AO CHÃO
Na política, como noutros domínios da vida, “há gente que julga mal ou bem conforme o interesse que tem” e que, na ânsia de chegar ao poder, faz o que mais lhe convém. A estes se opõem os que sabem que “a união faz a força” para que a justiça se cumpra. Ora, foi exemplo destes comportamentos opostos o que sucedeu nos últimos 11 meses e que levou à rejeição do pacote laboral (no dia 19 de junho, na Assembleia da República). De facto, a luta dos trabalhadores derrotou aquele embrulho legislativo e a vontade de quem à direita o queria aprovar, incluindo os que, antes da Greve Geral, destratavam dirigentes sindicais. 

Reconhecidamente, foi a força de milhares de assalariados que conseguiu derrotar os propósitos das alterações à lei do trabalho, que resultariam na subtração de direitos e na degradação das condições de vida. Além disso, expôs, mais uma vez, o cinismo de palavras e gestos dos que apenas agem em função do benefício partidário, mas apregoam sempre uma moral pura contra a corrupção.
Na verdade, nesta mobilização de quase um ano, o que mudou no pronunciamento público à direita foi, por um lado, a tentativa de tornar encenações negociais em esforços de conciliação (por quem suporta o governo) e, por outro, à direita extrema, a tática partidária para não se criar prejuízo eleitoral que impeça a ambição desmedida de alcançar à cadeira do mando, “dê por onde der”, sem “olhar a meios para atingir os fins”.  
Ficou, de novo, provado o que a história tem demonstrado, isto é, que a luta dos trabalhadores influencia as decisões políticas quando não desistem das suas justas reivindicações.
A integridade de “antes quebrar que torcer”, nos princípios de retidão e clareza, mostrada pelos que lutaram e celebraram a queda de medidas que degradariam as suas vidas opõe-se ao taticismo interesseiro daqueles que queriam decidir de outro modo, mas tiveram de optar pela rejeição do pacote laboral. Afinal, o que era para ser não foi, porque “o algodão não engana”.
Viva a unidade dos trabalhadores pela justiça laboral e social


* CDU

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