1 Apr 2026
Assembleia paroquial integrou a visita pastoral e reuniu os vários setores da comunidade de Oliveira de Azeméis num momento de balanço, partilha e reflexão sobre o futuro da paróquia
> Visita pastoral incluiu assembleia paroquial em Oliveira de Azeméis
A assembleia paroquial realizada no âmbito da visita pastoral de D. Manuel Linda à paróquia de São Miguel de Oliveira de Azeméis traçou um retrato exigente da comunidade: uma realidade viva, com centenas de leigos envolvidos em catequese, liturgia, pastoral familiar e ação sociocaritativa, mas confrontada com falta de catequistas, dificuldade em renovar gerações e necessidade de reforçar formação, oração e trabalho em comum.
O futuro da paróquia “ou é sinodal ou se calhar não é”. Foi com esta ideia forte que o padre José Manuel Lima abriu a assembleia paroquial integrada na visita pastoral, deixando um apelo claro a uma comunidade mais formada, mais orante e mais unida no trabalho comum. Numa intervenção de balanço e de perspetiva, o pároco reconheceu que a paróquia tem história, vitalidade e capacidade de escuta, mas advertiu que os próximos anos exigem “mais oração, mais formação cristã, mais evangelho” e também “mais comunhão de amizade entre todos”.
A segunda nota forte da noite veio do próprio retrato apresentado pelos vários setores. Entre catequese, liturgia, pastoral familiar, vocações e ação sociocaritativa, a paróquia mostrou uma base alargada de envolvimento leigo, mas também sinais evidentes de desgaste: menos catequistas, dificuldade em comprometer jovens no pós-crisma, envelhecimento em alguns grupos e necessidade de renovar equipas e responsabilidades. O bispo do Porto, D. Manuel Linda, foi acompanhando as apresentações com perguntas concretas, procurando perceber onde a paróquia cresce, onde perde gente e onde sente mais fragilidade.
Catequese com recuperação, mas falta de catequistas
Na apresentação do setor profético, o diácono Djalma Marques fez a introdução geral e passou a palavra a Ana Marques, que descreveu as mudanças registadas desde a última visita pastoral. Na catequese, destacou a adaptação ao digital durante a pandemia, a criação de novas dinâmicas de infância e juventude, a maior articulação entre grupos e a recuperação gradual da participação. Ainda assim, sublinhou um problema que continua por resolver: “aumentar o número de catequistas” é hoje uma das maiores fragilidades da comunidade.
Foi nesse contexto que D. Manuel Linda quis números mais concretos. O pároco respondeu que a paróquia conta com 430 crianças do 1.º ao 6.º ano e cerca de 140 do 7.º ao 11.º, num universo a rondar as 570 crianças e jovens. Segundo José Manuel Lima, a quebra mais visível não acontece tanto depois da Primeira Comunhão, mas sobretudo após a Profissão de Fé, na passagem para os grupos de jovens. Ana Marques acrescentou que a antiga dinâmica de transição natural da catequese para outros serviços paroquiais se enfraqueceu, embora já haja 11 jovens a começar a colaborar com a catequese da infância.
Na mesma área, foram ainda assinaladas alterações nos cursos de Cristandade, com redução de presenças nas “ultreias”, e um reforço da pastoral familiar, marcada por mais formação, novas iniciativas e participação em encontros ligados ao jubileu. Já a equipa vocacional foi apresentada como área que resistiu ao impacto demográfico e à pandemia, mas que precisa agora de apostar mais em jovens adultos, novos casais e maior proximidade às periferias humanas da comunidade.
Mais de 200 leigos no setor litúrgico
A apresentação do setor litúrgico ficou a cargo de Hélder Ramos, que traçou uma das radiografias mais impressionantes da assembleia. Segundo explicou, a liturgia paroquial mobiliza mais de 200 leigos distribuídos por sete grupos: coro litúrgico, coro dos pequenos cantores, escola de música, acólitos, leitores, ministros extraordinários da comunhão e confraria do Santíssimo. Só os pequenos cantores são atualmente 40 crianças e jovens, quando antes da recuperação mais recente eram apenas 20; os acólitos são 33, com 10 novos elementos este ano; os leitores somam 42 e os ministros extraordinários da comunhão são 30.
Ao mesmo tempo, Hélder Ramos deixou claro que também aqui há desafios. A escola de música perdeu elementos, há falta de animadores para a assembleia e a confraria enfrenta dificuldades em recrutar novos confrades. Ainda assim, o responsável sublinhou a força do setor e o modo como a liturgia continua a ser “fonte” e “cume” da vida da comunidade, com cruzamentos entre grupos, participação nas grandes celebrações e uma rede estável de serviço regular ao longo do ano.
João Araújo traçou retrato social da paróquia
Na parte final da reunião, o setor sociocaritativo foi apresentado por João Araújo, diácono da comunidade, que fez uma leitura alargada da realidade social de Oliveira de Azeméis. Falou de uma paróquia com cerca de 12 mil habitantes, integrada num centro urbano industrializado, onde o envelhecimento gera solidão, o acesso à habitação se torna mais difícil e a conciliação entre vida familiar e trabalho é cada vez mais exigente. Numa das passagens mais marcantes, sublinhou que Oliveira de Azeméis é hoje “uma terra de acolhimento” e que o desafio da paróquia é passar “do acolher por necessidade para integrar por fraternidade”.
João Araújo destacou também o trabalho do Centro Social Paroquial de São Miguel, fundado como IPSS em 1985, com resposta a duas pontas da vida: uma ERPI com capacidade para 40 idosos e uma creche com 32 crianças, além do apoio alimentar a pessoas carenciadas. Segundo os dados apresentados, a instituição forneceu, em 2025, um total de 1.460 refeições e beneficiou ainda de uma parceria com o Lidl de Portugal, no âmbito do programa Zero Desperdício, que representou donativos avaliados em 20.948 euros. O centro social mantém ainda articulação com a Cáritas da Diocese do Porto, com o município e com o gabinete local de inserção profissional.
D. Manuel Linda elogia comunidade viva
Na resposta final, D. Manuel Linda valorizou o número de voluntários, a diversidade de grupos e o dinamismo apresentado ao longo da noite. O bispo do Porto falou numa paróquia “viva”, assinalando que não é “de pé para a mão” que se constrói uma realidade assim e que essa vitalidade resulta do trabalho acumulado de pároco, diáconos e leigos. Ao mesmo tempo, lembrou que a corresponsabilidade dos leigos, a comunhão e a missão não podem ficar apenas no discurso: têm de continuar a traduzir-se em participação concreta, em presença e em iniciativa.
D.Manuel Linda levou "beijinhos" de Azeméis