23 Jul 2026
Empresas e Empresários Concelho
O primeiro alargamento da área empresarial de Ul/Loureiro poderá acrescentar cerca de 63 hectares ao polo existente, o equivalente a aproximadamente 88 campos de futebol
Oliveira de Azeméis quer acrescentar cerca de 63 hectares à área empresarial de Ul/Loureiro. O CHEGA apoia o alargamento, mas questiona os custos e o emprego a criar. A AD pede esclarecimentos sobre o ambiente, os terrenos privados e o novo acesso.
“Estamos sem espaço industrial público no nosso concelho”, afirma Joaquim Jorge, presidente da câmara de Oliveira de Azeméis, fazendo notar que a área existente está praticamente ocupada e já não consegue responder às empresas que procuram terrenos.
Ora, o alargamento do polo industrial Ul/Loureiro foi discutido na última reunião do executivo municipal: O CHEGA anunciou o voto favorável, considerando que o concelho precisa de espaço para atrair investimento, bem como AD também apoiou o início do processo, embora tenha levantado dúvidas sobre alguns dos seus efeitos.
A expansão começa com 62 a 63 hectares, o equivalente a aproximadamente 88 campos de futebol. Mas a Câmara quer ir mais longe: todo o alargamento poderá chegar aos 270 ou 280 hectares.
Para preparar essas operação, o Município já mandou identificar as mais de 800 propriedades existentes nos terrenos abrangidos. Este levantamento permitirá saber os limites de cada parcela e quem são os respetivos proprietários.
Os terrenos continuam classificados como solo urbano. O que muda é a utilização permitida: deixam de estar reservados a equipamentos coletivos e passam a poder receber empresas.
A Câmara justifica a decisão com a falta de espaço na atual Área de Acolhimento Empresarial de Ul/Loureiro e na Zona Industrial de Loureiro. Em vez de criar um polo isolado noutro local, pretende acrescentar terrenos contíguos à área já ocupada.
A localização é considerada estratégica por estar próxima das autoestradas A1 e A29, da ferrovia, do gasoduto e dos portos de Aveiro e Leixões. Joaquim Jorge acredita que a expansão poderá transformar o conjunto “num dos maiores polos industriais da região Norte e até do país”.
A pressão para encontrar terrenos já se faz sentir. Apenas em 2025 e 2026, o Município recebeu pedidos superiores a 580 mil metros quadrados para a instalação, expansão ou mudança de empresas.
Os contactos chegaram através da AICEP, de associações empresariais e diretamente dos investidores. Em muitos casos, as empresas não são inicialmente identificadas devido aos compromissos de confidencialidade.
Joaquim Jorge revelou que um dos pedidos mais recentes procura um terreno com pelo menos dois hectares e capacidade para quatro mil metros quadrados de área coberta. A Câmara respondeu no próprio dia, apresentando quatro ou cinco possibilidades.
Há também uma empresa de grande dimensão, instalada num concelho vizinho, interessada em transferir toda a operação para Oliveira de Azeméis. O negócio ainda não encontrou resposta porque o Município não dispõe de um terreno público com a área necessária. “Temos muitas solicitações e cada vez temos mais”, salienta o presidente.
Manuel Almeida apoiou o alargamento, defendendo que Oliveira de Azeméis deve criar condições para o crescimento das empresas, a captação de investimento e a criação de emprego. O vereador do CHEGA quis, contudo, saber quantos interessados já estão instalados no concelho, quantos representam novos investimentos e quantos postos de trabalho poderão ser criados.
Joaquim Jorge respondeu que ainda não é possível estimar o emprego. O número dependerá das empresas que ocuparem os terrenos, uma vez que uma unidade com elevado volume de negócios poderá funcionar com poucos trabalhadores e outra poderá empregar muito mais pessoas.
O CHEGA questionou igualmente se os primeiros 63 hectares serão suficientes. O presidente admitiu que poderá ser necessário continuar a procurar terrenos. “Oxalá isto não seja suficiente”, afirmou, encarando uma procura ainda maior como um sinal positivo.
Além de Ul e Loureiro, a Câmara identifica outras zonas com potencial para receber empresas, incluindo Macieira de Sarnes e terrenos próximos do final da autoestrada.
Investimento pode chegar às dezenas de milhões
O alargamento não se resume à alteração do PDM. A Câmara terá de comprar terrenos e construir acessos, redes de água, saneamento e outras infraestruturas. Joaquim Jorge admitiu que só a preparação e infraestruturação de todo o espaço poderá custar entre 25 e 30 milhões de euros. A esse valor acrescerá a aquisição das propriedades.
“O Município não tem 30 milhões de euros, ou 25 milhões, para infraestruturar esta zona industrial”, reconheceu. A Câmara espera, por isso, conseguir financiamento nacional ou comunitário.
AD questiona ambiente e valor dos terrenos
A AD quis saber por que razão a Câmara propõe dispensar a Avaliação Ambiental Estratégica. Joaquim Jorge explicou que o Município apenas apresenta esse pedido e a respetiva justificação. A decisão será tomada pelas entidades competentes.
Segundo a proposta, o alargamento não aumenta o perímetro urbano nem abrange terrenos integrados na Reserva Agrícola Nacional ou na Reserva Ecológica Nacional.
A coligação perguntou ainda se a nova utilização irá aumentar o valor das propriedades privadas. O presidente respondeu que os terrenos já são urbanos e serão avaliados de acordo com o seu potencial. A compra terá depois de ser negociada com cada proprietário.
Outro problema é o acesso. Atualmente, os veículos que se dirigem à área empresarial, incluindo os pesados, circulam pela Rua da Vidigueira e atravessam o centro de Loureiro. A Câmara quer criar uma ligação à variante Oliveira de Azeméis–Estarreja que sirva a área atual e os novos terrenos. Falta, porém, chegar a acordo com as Infraestruturas de Portugal sobre a solução a construir.
O Município defende uma rotunda diretamente na variante, semelhante à existente nos acessos à autoestrada. A alternativa passa por aproveitar o pontão existente, criando uma rotunda de cada lado da variante.
Em 2023, as Infraestruturas de Portugal rejeitaram a primeira opção e aceitaram a solução das duas rotundas ligadas pelo pontão.
Entretanto, um novo estudo técnico considerou que a rotunda defendida pela Câmara é a melhor solução nos planos económico, ambiental e de funcionamento. Como a IP mantém as objeções, o Município está a preparar novos argumentos para tentar alterar essa posição.
João Costa sugeriu ainda a instalação de um painel que identifique as empresas existentes na área. Joaquim Jorge acolheu a ideia e admitiu melhorar a sinalização das zonas industriais do concelho.
O processo de alteração do PDM terá um prazo máximo de 150 dias. Antes da decisão final, será aberto um período de 15 dias úteis para os interessados apresentarem observações ou sugestões.
O início do procedimento foi aprovado por unanimidade.