15 May 2026
Professor António Magalhães recorda uma época em que muitas crianças iam descalças e com fome para a escola
Professor António Magalhães recorda ensino nos anos 50
O professor António Magalhães recorda ao Correio de Azeméis como era ensinar nos anos 50, numa escola marcada pela pobreza, disciplina e falta de recursos.
As escolas sem aquecimento, as turmas com dezenas de alunos, a disciplina rígida e crianças que chegavam às aulas descalças e com fome. É este o retrato do ensino português nos anos 50 traçado pelo professor António Magalhães, que começou a dar aulas em 1952, com apenas 19 anos.
Em entrevista concedida ao Correio de Azeméis, o antigo docente recordou uma realidade muito diferente da atual, marcada pela pobreza das famílias e pela escassez de recursos nas escolas. “Eu tinha 46 alunos”, conta, explicando que lecionava em simultâneo à 1.ª, 2.ª, 3.ª e 4.ª classe. “As escolas eram quentes no verão e frias no inverno. Não havia aquecimento nenhum”, lembra.
Segundo António Magalhães, muitas crianças abandonavam os estudos logo após a escola primária para começarem a trabalhar. “Iam para sapateiros, para trolhas ou para pedreiros. Os pais precisavam”, afirma. O professor recorda ainda que a maioria dos alunos vinha de famílias muito pobres. “A barriguinha estava vazia. Não era fácil”, refere.
As aulas decorriam de segunda-feira a sábado e começavam frequentemente com oração ou com o hino nacional. O ensino era muito baseado na memorização, com os alunos a decorarem rios, gramática, linhas férreas e tabuada.
O antigo docente destaca também a diferença na relação entre professores, alunos e famílias. “Se eu desse uma bofetada e o pai soubesse, dava outra”, recorda, sublinhando o respeito que existia pela autoridade dos professores.
Apesar das dificuldades, António Magalhães considera que os alunos da época adquiriam conhecimentos sólidos. “Aquilo que aprendiam na escola primária era para a vida”, conclui.