23 Dec 2025
Debates - Politicamente Correto
Daniela Silva (PS), João Costa (PSD) e Manuel Almeida (Chega) participaram no programa Politicamente Correto, da Azeméis TV/FM, moderado pelo jornalista Eduardo Costa
Entre divergências sobre se os 554 mil euros representam "investimento" ou "despesa", houve consenso sobre a necessidade de revitalizar o centro da cidade, que perde protagonismo para o Parque de La Salette.
O mais recente debate do programa “Politicamente Correto" trouxe para a mesa a estratégia natalícia do município de Oliveira de Azeméis, colocando frente a frente Daniela Silva (PS), João Costa (PSD) e Manuel Almeida (Chega). O ponto de partida foi o envelope financeiro de cerca de 554 mil euros destinado às celebrações, um valor que gerou interpretações distintas quanto à sua aplicação e retorno efetivo para a economia local. Se para a socialista o montante é um investimento imaterial nas famílias e na educação, para a oposição, trata-se de uma despesa sem o retorno financeiro direto observado em concelhos vizinhos ou em referências internacionais como Vigo.
A discussão evoluiu rapidamente para a geografia das festividades. Apesar do sucesso do Parque de La Salette, os intervenientes alertaram para o esvaziamento do centro da cidade, sugerindo que o "coração" de Oliveira de Azeméis não está a conseguir captar o fluxo de visitantes que sobem à serra. debatida a subutilização crónica do parque de estacionamento subterrâneo, uma infraestrutura que muitos oliveirenses parecem desconhecer.
A primeira grande divergência da noite prendeu-se com a classificação dos gastos públicos. Daniela Silva, do Partido Socialista, defendeu a verba como um pilar fundamental para a comunidade, sublinhando a gratuitidade dos eventos, como o circo, que noutros municípios são pagos. A deputada municipal destacou que o valor de 554 mil euros se divide entre estruturas de iluminação e programação cultural, servindo também para alavancar a economia local numa época específica.
Em contraponto, João Costa, do PSD, recusou a classificação de "investimento", argumentando que, ao contrário de eventos como o "Perlim" ou o Natal em Vigo, onde existe um retorno financeiro mensurável, em Oliveira de Azeméis trata-se de uma "despesa" social. O social-democrata sublinhou que, embora não seja "o Grinch" e reconheça a importância da dinâmica social, é necessário chamar "os bois pelos nomes".
“Eu acredito que o investimento de Natal é um investimento na comunidade oliveirense, um investimento nas pessoas e um investimento nas nossas crianças . Os eventos são gratuitos, o circo, por exemplo, tem mais de 40 apresentações . Termos esta oportunidade de ter estes eventos gratuitos, que muitos outros concelhos à nossa volta são pagos e são outras opções que são tomadas, acho que é um grande benefício para a nossa comunidade.“
Daniela Silva (PS)
“Sinceramente, eu não olho para o Natal, ou para aquilo que é feito, como um investimento. O investimento parte-se do pressuposto que vamos gastar, ou vamos colocar aquela verba para que depois haja retorno. O Natal não é suposto, ou pelo menos a autarquia assim o entende de que não deverá haver retorno. Daí o parque de Natal e as iluminações serem de borla. Portanto, para mim não é um investimento, é sim uma despesa.”
João Costa (PSD)
“Eu acho que o João está redondamente enganado. Os 550 mil euros é por ano. Davam 800 e tal mil euros o contrato feito há dois anos e isso fracionado. Mas como o João falou no Grinch e tal verde hoje, já espero tudo.“
Manuel Almeida (CHEGA)
O divórcio entre a Cidade e o Parque
A centralização das atividades no Parque de La Salette foi outro tema quente. Manuel Almeida alertou para o facto de a mensagem promocional estar tão focada no parque que o centro da cidade acaba por ser esquecido, tanto pelos visitantes externos como pelos próprios munícipes das freguesias. O representante do Chega ilustrou o problema referindo que habitantes de freguesias vizinhas associam o Natal ao Parque de La Salette e não a Oliveira de Azeméis enquanto cidade comercial.
João Costa corroborou esta visão, notando que a inauguração das luzes se tornou um evento de "autopromoção" municipal que, por vezes, falha em traduzir-se em vida nas ruas comerciais. Daniela Silva defendeu a estratégia do executivo, lembrando que existem iniciativas como o "Natal Comercial", mercadinhos e o comboio turístico que faz a ligação entre a parte alta e a baixa da cidade, tentando criar uma dinâmica de vasos comunicantes.
“Estamos muito centrados no parque. Atenção que não é que o parque não mereça. Mas estamos muito centrados no parque. Estamos a esquecer um bocadinho do centro da cidade em si. Se nós ouvirmos os nossos comerciantes, sim, ficamos com aquela clara ideia que o retorno para Oliveira de Azeméis é pouco. A maioria das pessoas centra-se lá em cima no parque e o centro da cidade fica esquecido.”
Manuel Almeida (CHEGA)
“A inauguração das iluminações de Natal quase que se transformou num evento épico do Natal. É um momento que se está a transformar quase que num espetáculo de promoção. 'Olha, o Natal é melhor que o teu, anda cá a ver isto'. E eu acho que isso acaba por ser um bocadinho redutor da função para que está a servir este mesmo investimento.“
João Costa (PSD)
“Sinto que alguns comerciantes têm essa dificuldade de chegar às pessoas, mas também sinto que existe, por parte do executivo camarário, um esforço para que isso aconteça. E essa ligação ao parque é feita, por exemplo, pelo comboio e também há uma programação, que é o Natal Comercial em que há espetáculos, mercadinho de rua nos fins de semana.”
Daniela Silva (PS)
“Quando existiu esse programa do Voucher, comparado com agora, havia mais movimento e os próprios comerciantes referem isso agora, em conversas atuais, referem isso relativamente ao passado.”
Manuel Almeida (CHEGA)
“Acho que realmente podemos criar outras dinâmicas e acho que essa abertura para criar, por exemplo o Voucher, não me parece de todo errada para podermos também alavancar essa parte mais do comércio local que é importante.”
Daniela Silva (PS)
O mistério do
parque subterrâneo
O debate encerrou com uma análise perplexa sobre o estacionamento no centro da cidade. Foi unânime o reconhecimento de que o parque subterrâneo existente na Praça da Cidade é subaproveitado, com muitos munícipes e visitantes a desconhecerem sequer a sua existência ou localização. João Costa e Manuel Almeida sugeriram que a infraestrutura poderia ser concessionada a privados para garantir uma gestão mais dinâmica e melhor sinalética, ou modernizada com sistemas como a Via Verde. Daniela Silva reconheceu a falta de visibilidade do equipamento, admitindo que uma melhor identificação seria benéfica, embora tenha mostrado reservas quanto à perda de controlo municipal numa eventual concessão.
“Eu acho que o parque ficou um pouco esquecido durante os anos. A verdade é que, efetivamente, o parque subterrâneo é uma boa aposta. Mas a verdade é que quem lá passa também não percebe que ele existe. Acho que concessioná-lo é uma hipótese. Porque a partir daí o próprio investidor terá que trazer uma dinâmica para o parque para ele ter aqui mais atratividade.”
João Costa (PSD)
“Muitas pessoas chamam aqui e não sabem que há um parque de estacionamento é verdade, porque não há nenhuma placa, não há qualquer indicação e nem lá a entrada basicamente passamos ao lado de coisas que nem vemos. Uma concessionária para mim era a melhor opção mesmo.”
Manuel Almeida (CHEGA)
“Acho que, primeiramente, as pessoas não têm conhecimento porque não está tão visível. Realmente, acredito que está mais identificado uma placa que faz sentido. [Mas] acho que era o próprio parque, nessa questão da concessão perdíamos aqui um bocadinho a oportunidade da Câmara conseguir gerir esta parcela.”
Daniela Silva (PS)