Politicamente (in)correto

CHEGA

Manuel Almeida*

Opinião Política > Manuel Almeida

Nem só de elogios se faz democracia!
Na reunião de câmara de 4 de março, o edil de Oliveira de Azeméis proferiu declarações que
chocam pela sua gravidade e pela evidente intenção de controlar a linha editorial da imprensa local. Ao afirmar que os órgãos de comunicação deveriam “dedicar-se a publicitar apenas o que de bom acontece no concelho” e que “esse tipo de postura política e essa comunicação social, não terão futuro…”, tornou claro que, para alguns autarcas da nossa praça, a liberdade de expressão e o direito à informação são vistos como incómodos a domesticar, em vez de pilares fundamentais da democracia.
Este comportamento não é isolado. Já em junho do ano passado, o então presidente da União de Freguesias de Oliveira de Azeméis ameaçou um órgão de comunicação local, exigindo a remoção de comentários críticos sobre a poluição no rio UL, recorrendo à intimidação e à chantagem velada. Além disso, o presidente da Assembleia Municipal também já tentou impor algumas “bicadas” à liberdade de imprensa e de opinião de alguns munícipes.
Estes episódios revelam um padrão preocupante: uma elite política que canta “Grândola, Vila Morena” de forma simbólica, mas que, na prática, atropela a liberdade de imprensa e a crítica legítima. A liberdade de informar, ser informado e criticar está consagrada no Artigo 37.º da Constituição da República Portuguesa e é regulada pela Lei n.º 2/99, de 13 de janeiro.
Qualquer tentativa de condicionar a comunicação social não é apenas ilegal; é um ataque direto à democracia e ao direito dos cidadãos de conhecer a verdade sobre o que se passa no seu concelho. É inaceitável que autarcas eleitos vejam a informação independente como um obstáculo a contornar. Quando a imprensa é pressionada a publicar apenas “boas notícias”, perde-se o escrutínio essencial que protege a comunidade de decisões questionáveis e de negligência política.
O verdadeiro serviço público exige transparência, debate crítico e responsabilização. Não a tentativa de domesticar vozes incómodas. Os cidadãos de Oliveira de Azeméis merecem mais do que discursos grandiosos e promessas vazias. Merecem autarcas que respeitem as regras da democracia, acolham a crítica e não confundam o conforto da propaganda com a liberdade
que sustenta uma sociedade justa. Qualquer postura que tente silenciar a imprensa ou condicionar a opinião pública é, em última análise, uma traição ao mandato que lhes foi confiado.

*Presidente da Comissão Política Concelhia do partido CHEGA  

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