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Correio de Azeméis

26 Mar 2026

Politicamente (in)correto

CHEGA

Manuel Almeida*

Opinião Política > Manuel Almeida

O impasse nas nomeações para o Tribunal Constitucional não é um acidente, mas sim, mais uma demonstração clara de como o Partido Socialista continua a confundir o Estado com o seu próprio aparelho de poder. Aquilo que devia ser um processo sério, baseado no mérito e na independência, transforma-se num jogo de influência, onde o PS tenta, a todo o custo, manter controlo sobre uma das instituições mais críticas da democracia.
Isto não é novo. Sempre que é preciso chegar a entendimentos, o PS arrasta negociações, bloqueia soluções e pressiona até conseguir impor nomes que lhe sejam politicamente convenientes. Não se trata de consenso. Trata-se de domínio. E essa atitude corrói a confiança nas instituições e coloca em causa a credibilidade do próprio Tribunal Constitucional, que deveria estar acima de qualquer suspeita.
Do meu ponto de vista, este impasse expõe um problema mais grave: um regime fechado sobre si mesmo, onde os partidos do costume distribuem lugares como se fossem propriedade privada. A justiça constitucional não pode ser capturada por interesses partidários, nem servir de refúgio para figuras alinhadas com o poder político. Cada atraso, cada manobra obscura, mina a percepção pública de imparcialidade e afasta ainda mais os cidadãos da vida política.
Portugal está cansado deste ciclo. Está cansado de decisões feitas em gabinetes fechados, longe do escrutínio público, onde o critério não é a competência, mas a conveniência. É urgente quebrar este padrão, impor transparência real, critérios exigentes e uma separação clara entre política e justiça.
Enquanto o PS insistir nesta lógica de controlo e ocupação institucional, não estará a defender a democracia. Estará a desgastá-la. E quanto mais prolongar este comportamento, mais contribuirá para o descrédito do sistema.
Isto não é apenas um bloqueio. É um sintoma de um sistema que precisa, urgentemente, de ser confrontado e mudado, antes que a própria democracia portuguesa se torne refém permanente dos interesses partidários.


*Presidente da Comissão Política Concelhia do partido CHEGA  

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