Manuel Almeida*
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No passado sábado, os portugueses assinalaram os 52 anos do 25 de Abril de 1974. Uma data que pôs fim a um regime sem liberdade. Mas, passadas mais de cinco décadas, há uma verdade que muitos insistem em esconder: Abril continua longe de estar cumprido.
Nos dias de hoje, continuamos a assistir a tentativas descaradas de condicionar a liberdade de imprensa e de opinião. Continuamos a ver responsáveis políticos que não toleram o contraditório e que só aceitam a democracia quando lhes dá jeito. E mais grave ainda: há quem desrespeite os resultados eleitorais, ignorando a vontade expressa nas urnas sempre que não lhes convém. São, muitas vezes, os mesmos que exibem o cravo ao peito e cantam “Grândola, Vila Morena”, enquanto traem, todos os dias, os valores de Abril. Isto não é coerência. É hipocrisia política no seu estado mais puro.
Honrar o 25 de Abril não é repetir discursos vazios nem participar em cerimónias simbólicas.
Honrar Abril é ter coragem política. Coragem para enfrentar interesses instalados, para denunciar injustiças e para romper com práticas que se arrastam há décadas. É dizer basta à falta de visão, basta às decisões tomadas em circuito fechado e basta a uma política que se esquece de quem realmente sustenta o país e os concelhos: quem trabalha, quem investe e quem cumpre.
Em Oliveira de Azeméis, esta realidade é evidente. Apesar do enorme potencial do concelho, há muitos oliveirenses que sentem que Abril falhou. Falhou na proximidade a quem mais precisa, falhou na transparência das decisões, falhou na segurança e falhou, sobretudo, no respeito por aqueles que diariamente contribuem para o desenvolvimento do território.
O concelho não pode continuar refém das mesmas políticas e dos mesmos protagonistas de sempre. É tempo de exigir mais, de ambicionar mais e de colocar, sem hesitações, os interesses dos oliveirenses em primeiro lugar. É esse o verdadeiro espírito de Abril. Um espírito que não se esgota no passado, mas que exige ação no presente.
*Presidente da Comissão Política Concelhia do partido CHEGA