7 May 2026
Manuel Almeida*
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Na Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis, em fevereiro, o CHEGA apresentou uma proposta direta: pôr fim à impressão e distribuição da revista municipal VITA. O objetivo era claro: reduzir despesa, adaptar a comunicação aos tempos atuais e evitar redundâncias num contexto em que os meios digitais assumem um papel cada vez mais central.
O debate que se seguiu revelou bem o posicionamento de cada força política. O executivo socialista defendeu-se com o argumento institucional de que tem o dever de informar os munícipes. O PS, naturalmente, alinhou nessa lógica. Já a AD, estando na oposição, tinha aqui uma oportunidade clara de se diferenciar, de acrescentar valor ao debate e de mostrar uma alternativa. Mas não o fez. A AD optou por votar ao lado do PS, escudando-se numa justificação pouco exigente: a de que a revista ainda chega a famílias sem redes sociais. Um argumento fácil, mas curto. Curto porque ignora o custo associado, ignora a evolução dos hábitos de consumo de informação e, acima de tudo, ignora a responsabilidade de propor soluções mais eficientes. Dois meses depois, a realidade veio expor essa fragilidade. O executivo, o mesmo que rejeitou a recomendação, avançou com um novo contrato, reduzindo o investimento em mais de 10 mil euros e ajustando a distribuição com base em critérios de eficiência e procura real.
Ou seja, reconheceu, na prática, aquilo que recusou politicamente.
E isto torna a posição da AD ainda mais difícil de compreender. Sendo oposição, tinha o dever de escrutinar, de questionar e de procurar fazer melhor. Em vez disso, preferiu alinhar com o PS, abdicando do seu papel e contribuindo para travar uma proposta que, afinal, fazia sentido. Não se tratou de prudência. Tratou-se de falta de visão e uso constante de palas ideológicas. A política exige mais do que comentários genéricos e votos confortáveis. Exige análise, exige coragem e exige capacidade de assumir posições, mesmo quando isso implica romper com o consenso instalado.
O CHEGA fê-lo. Identificou um problema, apresentou uma solução e manteve a sua coerência.
O executivo acabou por dar um passo, ainda que insuficiente, ao reduzir o investimento. Reconhecemos esse ajuste. Mas a questão de fundo mantém-se: podia, e devia, ter ido mais longe.
Já a AD perdeu uma oportunidade clara de se afirmar como alternativa. E isso, para quem está na oposição, diz muito.
*Presidente da Comissão Política Concelhia do partido CHEGA