14 May 2026
Manuel Almeida*
A discussão sobre a possível desagregação da União de Freguesias de Oliveira de Azeméis, Santiago de Riba-Ul, Ul, Macinhata da Seixa e Madail voltou ao debate político, mas não pode ser tratada com slogans nem com decisões tomadas à pressa. É um tema sério, que mexe diretamente com a identidade das populações, com a gestão do território e com a proximidade entre eleitos e cidadãos.
A verdade é simples: estas cinco freguesias têm realidades completamente diferentes. Oliveira de Azeméis é uma zona urbana, com desafios ligados ao trânsito, aos serviços e à pressão populacional. Santiago de Riba-Ul possui uma forte componente industrial e empresarial. Ul tem um património natural e cultural muito próprio. Já Macinhata da Seixa e Madail mantêm características mais rurais, onde os problemas do dia-a-dia passam muitas vezes por caminhos, limpeza, manutenção e apoio às associações locais. Durante anos, muitas pessoas destas freguesias sentiram que perderam voz. Que as suas prioridades ficaram para segundo plano dentro de uma estrutura demasiado grande e excessivamente centrada na cidade. E essa perceção não pode continuar a ser ignorada.
A proximidade é um valor essencial na política local. Quem vive numa freguesia pequena quer sentir que existe alguém que conhece os seus problemas, acompanha a realidade local e responde pelas decisões tomadas. A desagregação pode devolver parte dessa representatividade e reforçar o sentimento de pertença das comunidades. Mas também é preciso falar verdade às pessoas. A desagregação não pode servir apenas para criar mais cargos políticos, mais estruturas e mais despesa pública. Freguesias pequenas terão naturalmente mais dificuldades financeiras e menos capacidade técnica para responder sozinhas a determinados desafios. O equilíbrio entre autonomia local e sustentabilidade financeira será decisivo. O CHEGA defende uma política de proximidade, mas também uma política de responsabilidade. Não podemos continuar a aceitar reformas feitas em Lisboa sem ouvir verdadeiramente as populações, como aconteceu em 2013. Mas também não podemos apoiar decisões apenas por razões emocionais ou eleitoralistas. Este debate exige transparência, seriedade e coragem política. É preciso ouvir os cidadãos, avaliar contas, competências e perceber qual o verdadeiro impacto destas decisões no dia-a-dia das pessoas. Porque a política local deve existir para servir as populações, e não os interesses partidários.
*Presidente da Comissão Política Concelhia do partido CHEGA