Politicamente (in)correto

CHEGA

Manuel Almeida*

Na última reunião de Câmara foi discutido um ponto relacionado com uma alteração a um contrato de urbanização associado a um empreendimento habitacional no concelho. O assunto acabaria por ser retirado da ordem de trabalhos, mas o debate que gerou merece alguma reflexão.

Vivemos um período particularmente difícil no acesso à habitação. Os preços continuam elevados, a oferta disponível é insuficiente e muitos jovens vêem-se obrigados a adiar os seus projectos de vida por não conseguirem encontrar uma casa compatível com as suas possibilidades. Perante esta realidade, é importante que saibamos distinguir entre aquilo que é a defesa legítima do interesse público e aquilo que são obstáculos ao desenvolvimento do concelho. Fiscalizar é um dever. Questionar é uma obrigação. Exigir transparência é indispensável. Mas existe uma diferença entre analisar criticamente um projecto e criar uma ideia de suspeição permanente sobre quem pretende investir em Oliveira de Azeméis. É curioso verificar que, por vezes, alguns sectores políticos que habitualmente defendem o investimento privado e a iniciativa empresarial rapidamente abandonam esses princípios quando confrontados com projectos concretos.

Nesses momentos, o debate deixa de centrar-se no interesse do concelho para se centrar na desconfiança perante quem investe e cria riqueza. Por vezes, parece que o simples facto de um investidor poder obter retorno financeiro é encarado como algo negativo. Não é. As empresas existem para investir, assumir riscos, criar riqueza e gerar actividade económica. O importante é garantir que esse investimento respeita a lei, salvaguarda o interesse público e contribui para o desenvolvimento do território. Quando um projecto permite aumentar a oferta habitacional, atrair novos residentes, dinamizar a economia local e gerar receitas futuras para o município, o debate não deve centrar-se apenas no que o investidor poderá ganhar. Deve centrar-se, sobretudo, naquilo que o concelho tem a ganhar.

Oliveira de Azeméis precisa de mais habitação. Precisa de mais investimento. Precisa de criar condições para que os jovens possam viver e construir o seu futuro na terra onde nasceram. E precisa também de transmitir confiança a quem escolhe investir no nosso território. Isso não significa abdicar do rigor nem da fiscalização. Significa apenas compreender que o desenvolvimento se constrói através do equilíbrio entre investimento, responsabilidade e interesse público.

O futuro de Oliveira de Azeméis não se faz alimentando desconfianças. Faz-se criando condições para que o investimento e o interesse da comunidade caminhem lado a lado.

*Presidente da Concelhia do CHEGA

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