Politicamente (in)correto

CHEGA

> Manuel Almeida (CHEGA)

Uma comunidade mede-se, acima de tudo, pela forma como trata quem mais precisa. É precisamente por isso que o caso do homem que tem pernoitado no seu automóvel, no Parque de La Salette, em Oliveira de Azeméis, não pode ser visto como um episódio isolado nem encarado com indiferença.
Enquanto Vereador do CHEGA, na primeira reunião de Câmara do mês de junho, entendi que não podia ficar em silêncio. Levei esta situação ao Executivo Municipal porque considero que fechar os olhos a uma realidade destas seria faltar ao compromisso que assumi com os oliveirenses. A resposta, posteriormente conhecida foi a disponibilização de um quarto até setembro, passando depois a implicar um encargo de cerca de 300 euros mensais.
É inevitável perguntar: que resposta social é esta?
O que mais impressiona neste caso é que não estamos perante alguém resignado a viver de apoios. Pelo contrário. Este cidadão manifesta vontade de trabalhar, de recuperar a sua autonomia e de reconstruir a sua vida. Não pede para viver à custa do Estado ou da comunidade; pede apenas uma oportunidade para voltar a viver pelos seus próprios meios.
Perante esta realidade, uma solução temporária seguida de uma renda dificilmente comportável não resolve o problema. Apenas o adia. A verdadeira ação social deve procurar compreender as causas da vulnerabilidade, acompanhar cada caso e criar condições para que as pessoas recuperem a sua dignidade e independência.
Oliveira de Azeméis dispõe de técnicos e instituições de enorme mérito. Não coloco em causa a dedicação de quem diariamente trabalha na área social. O que questiono é se as respostas existentes são verdadeiramente adequadas para enfrentar situações como esta. Porque uma resposta que termina quando começa a surgir uma nova dificuldade dificilmente pode ser considerada uma solução.
Ninguém escolhe dormir dentro de um automóvel por conforto. Quem chega a esse ponto perdeu muito mais do que um teto: perdeu estabilidade, segurança e, muitas vezes, esperança.
Enquanto houver um cidadão do nosso concelho obrigado a viver nestas condições, continuarei a dar voz a estas situações e a exigir respostas mais eficazes. A solidariedade não pode limitar-se a soluções de curto prazo. Deve traduzir-se em respostas humanas, sustentáveis e capazes de devolver autonomia a quem quer trabalhar e contribuir para a sociedade.
Porque a verdadeira política social não consiste em ganhar tempo. Consiste em devolver dignidade, criar oportunidades e mudar vidas.

*Presidente da Concelhia do CHEGA

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