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Correio de Azeméis

28 May 2026

Praça Maior: o retrato de uma década de indecisão política

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A história da “Praça Maior” em Oliveira de Azeméis é, acima de tudo, o retrato de um projeto mal conduzido. Desde 2017, aquilo que foi anunciado pelo partido socialista como uma prioridade estratégica transformou-se numa sucessão de recuos, contradições e decisões erráticas.

Grande promessa eleitoral: Iriamos ter uma nova centralidade para a cidade. Mas cedo ficou claro que a Câmara avançou sem resolver o essencial — o terreno era privado. E em vez de uma estratégia clara, seguiu-se o improviso: negociações falhadas, ameaças de expropriação e um discurso do presidente de Camara e dos dirigentes socialistas que mudava conforme as circunstâncias.

O ponto mais surpreendente e errático surge em 2022. Depois de defender a expropriação em nome do interesse público, a autarquia dá o dito por não dito e fecha um acordo com privados, permitindo construção imobiliária numa parte do terreno. O que era apresentado como equipamento público passa, de um momento para o outro, a uma espécie de projeto misto — uma cedência que na altura os vereadores do PSD denunciaram e que o executivo tentou justificar como “realismo”. Mas o “realismo” durou pouco.

Em 2026, novo volte-face: o acordo cai e a Câmara regressa à expropriação total, assumindo custos superiores a um milhão de euros — precisamente aquilo que tinha tentado evitar anos antes. Ou seja, perde-se tempo, muito tempo, muitos anos, muda-se de rumo e acaba-se exatamente no ponto de partida — só que mais caro.

Pelo meio, houve alterações ao PDM, projetos adjudicados e sucessivas declarações de que agora, sim, o processo estava estabilizado. Nada disso resistiu aos factos. A cada “solução definitiva” seguiu-se um novo recuo.

O resultado é simples: quase uma década depois, a Praça Maior continua por fazer, e o que fica não é uma visão para a cidade, mas mais uma demonstração de falta de planeamento.

A questão já não é urbanística. É política.

Quando um projeto muda tantas vezes de direção, parte do problema até pode estar no projeto, mas se calhar estará mais em quem decide.

*Ex-vereador (AD) da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis

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