11 Mar 2026
Cucujães > Junta vai ter novo funcionário
Na última Assembleia de Freguesia de Cucujães, o debate político cedeu lugar à emoção crua quando a presidente da Junta, Elisabete Barnabé, confrontada com críticas sobre o atendimento telefónico, não conteve as lágrimas diante dos presentes.
Longe de representar fragilidade, o gesto foi o culminar de um desgaste acumulado por quem, desde 30 de outubro, é a face política da vila e, simultaneamente, a sua funcionária administrativa.
O peso da "Supercarga"
A realidade, desconhecida por muitos, prende-se com um hiato administrativo. "Quando assumi a presidência, exercia funções como administrativa. O processo para contratar a minha substituição sofreu atrasos", explica a autarca. Para não paralisar a instituição, Elisabete decidiu manter-se ao balcão. Na prática, isto significa que a mesma pessoa que define o destino da freguesia é a que atende o público, gere processos da ADSE, trata de isenções fiscais e até medeia conflitos de vizinhança.
Na Assembleia, o tom foi de desabafo: "Entro aqui às 8h30 e já saí à meia-noite. Humanamente não é possível sempre". Sobre a acusação de não atender o telefone, a presidente é perentória ao explicar que, estando muitas vezes sozinha, prioriza quem está à sua frente no atendimento presencial. "Recebi a crítica com tristeza; não reflete o esforço feito", confessa.
Lágrimas de compromisso
As lágrimas que marcaram a sessão foram, segundo a própria, o resultado de sentir o seu trabalho "injustamente colocado em causa". "Não foram lágrimas de fraqueza, mas de quem sente profundamente a responsabilidade", afirma. Elisabete Barnabé quis deixar claro que a situação é temporária e fruto de um rigor administrativo que será resolvido com a nova contratação.
Este período de acumulação de funções, diz, é temporário e resultou apenas de um atraso administrativo que será resolvido em breve.
“Continuarei a trabalhar com dedicação, proximidade e sentido de responsabilidade. Porque quem assume servir a sua terra sabe que o cargo não é apenas uma função política. É um compromisso com as pessoas. E esse compromisso não se mede pelas dificuldades do caminho, mas pela determinação em continuar a servir".
E dirigiu-se diretamente aos cucujanenses para finalizar: “Se quando me sinto cansada, consigo trabalhar tanto como até agora, imaginem quando isto normalizar.”