19 Jun 2026
Futebol Futebol Clube Cesarense
O apelo é para que nas bancadas os pais libertem os filhos da pressão
Cultura de formação - Mudar comportamentos não é fácil
O Mundialito Cesaz 2026 está a servir também para chamar a atenção para uma realidade que preocupa dirigentes, treinadores e associações: a pressão exercida por alguns pais em torno das equipas, dos treinadores e das decisões de arbitragem nos escalões de formação
O alerta partiu de José Neves Coelho, representante da Associação de Futebol de Aveiro, que aproveitou a apresentação do Mundialito para falar de um problema que, segundo disse, surge diariamente no trabalho da associação.
“Reconheço que neste momento um dos grandes problemas que temos na associação é apenas tratar das queixinhas que nos chegam diariamente”, afirmou.
As reclamações, explicou, repetem-se com frequência e estão muitas vezes relacionadas com o tempo de utilização dos atletas ou com decisões de arbitragem.
O dirigente recordou que o futebol jovem tem características diferentes do futebol sénior e que as decisões dos treinadores nem sempre podem ser analisadas apenas a partir dos resultados ou do tempo de utilização de cada jogador. O objetivo dos escalões de formação, defendeu, continua a passar pela aprendizagem, crescimento e evolução dos atletas.
Pressão crescente nos escalões jovens
Para José Neves Coelho, trata-se de um fenómeno cada vez mais visível no futebol de formação e que acaba por retirar espaço aos objetivos educativos do desporto.
O dirigente defende que o futebol jovem deve continuar a ser um espaço de aprendizagem, convivência e desenvolvimento pessoal, sem reproduzir nos escalões de base a pressão associada à competição sénior.
“Para termos um desporto são, um desporto valorizado pela qualidade e, principalmente, que seja uma festa para os nossos jovens, é preciso que os pais os libertem da pressão e deixem esse trabalho para o treinador.”
José Neves Coelho reconheceu que mudar comportamentos não é fácil, mas considera que esse caminho é necessário para proteger o ambiente em torno dos jovens atletas.
Formação para lá dos resultados
A preocupação não surgiu isolada: Na mesma sessão, Francisco Murcela, coordenador da Formação do FC Cesarense, defendeu que o futebol jovem não pode ser visto apenas através dos resultados ou das classificações.
“O futebol na formação tem uma capacidade única de aproximar pessoas. Ensina-nos a trabalhar em equipa, a respeitar adversários, a lidar com vitórias e derrotas e, acima de tudo, a crescer enquanto seres humanos”, afirmou.
A ideia de que o futebol de formação deve privilegiar valores educativos e sociais foi uma das mais repetidas ao longo da apresentação do Mundialito.
Para Francisco Murcela, a formação não serve apenas para preparar atletas. Serve também para transmitir valores que acompanham os jovens fora dos campos e ao longo da vida, contribuindo para a sua integração social e para o desenvolvimento de competências pessoais.
Hélder Simões também abordou o tema durante a sua intervenção. O vereador do Desporto da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis concordou que alguns comportamentos que durante muitos anos estiveram associados ao futebol profissional começam a surgir com maior frequência nos escalões jovens.
“É um problema que existe hoje no futebol de alta competição, mas que infelizmente também está nos escalões de futebol de formação”, afirmou.