Prevenir Hoje, Proteger o Amanhã

Livre

Ricardo Praça da Costa*

Opinião Política > Ricardo Praça da Costa

Os fenómenos meteorológicos extremos deixaram de ser exceção em Portugal. Incêndios rurais mais intensos, chuvas concentradas em curtos períodos, cheias rápidas, episódios de vento forte e falhas prolongadas de energia tornaram-se cada vez mais frequentes.
Municípios como Oliveira de Azeméis estão particularmente expostos a estes riscos.
O concelho combina uma vasta área florestal de monoculturas de pinheiro e eucalipto, com uma malha urbana dispersa e extensas zonas urbano-florestais. Em 2024, os terríveis incêndios mostraram essa vulnerabilidade de forma clara, condicionando acessos e colocando populações em risco. Os incêndios criam preocupações acrescidas quando a chuva regressa, provocando possíveis deslizamentos e derrocadas. São fragilidades estruturais do território que exigem uma análise séria e contínua dos riscos existentes e a identificação clara das áreas mais sensíveis do concelho.
A Lei de Bases do Clima exige que o município a integre a adaptação climática no planeamento local. Isso implica conhecer o território em detalhe, mapear zonas vulneráveis e articular urbanismo, gestão florestal, drenagem de águas pluviais e proteção civil numa estratégia coerente de prevenção e preparação.
Preparar o território significa condicionar construções em zonas de risco, gerir a floresta de forma racional e sustentável, investir em soluções ecológicas que reduzam cheias urbanas, e garantir que infraestruturas críticas estão preparadas para uma emergência, com autonomia energética e capacidade de comunicação. Significa também preparar as pessoas: informando, formando e apoiando quem é mais vulnerável.
Medidas simples, como planos de emergência claros, simulacros, identificação prévia de abrigos seguros, e a distribuição de kits básicos de emergência a idosos e famílias com menos recursos, podem fazer toda a diferença entre o caos e uma resposta organizada e segura.
Reconhecendo o trabalho já desenvolvido pela autarquia e pela proteção civil, importa agora reforçar e atualizar estratégias face à crescente complexidade dos riscos.
Prevenir não é alarmismo. É responsabilidade civil e política.

*Membro do partido Livre

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