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Correio de Azeméis

1 Oct 2026

Professor que marcou gerações de alunos

Concelho

> Morreu Avelino Soares Cabral,” O Professor Cabral”,

Faleceu, aos 83 anos, Avelino Soares Cabral, professor que dedicou mais de três décadas ao ensino em Oliveira de Azeméis e deixou também um importante contributo para a preservação da memória da Escola Secundária Soares de Basto.

Há pessoas cuja passagem pela vida se mede pelos anos. Outras, porém, medem-se pelas marcas que deixam nos lugares, nas instituições e, sobretudo, nas pessoas. O Professor Cabral foi, indiscutivelmente, uma dessas pessoas.
Avelino Soares Cabral nasceu em Loureiro, a 6 de setembro de 1943, e faleceu no passado dia 20 de setembro. O seu percurso de vida ficou profundamente ligado ao ensino, à cultura e à história da educação no concelho.
Depois de frequentar a Escola Primária de Contumil e o Colégio de Oliveira de Azeméis, ingressou, em 1962, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde iniciou o curso de Filologia Germânica. O cumprimento do serviço militar levou-o posteriormente a transferir os estudos para a Universidade de Lisboa, concluindo a licenciatura em 1970.
A sua carreira docente começara, entretanto, em outubro de 1969, como professor de Inglês e Alemão no Colégio de Oliveira de Azeméis, onde fora aluno. Em 1970 iniciou também a docência de Português na então Escola Industrial e Comercial de Oliveira de Azeméis.
A partir de 1971 passou a lecionar na atual Escola Secundária Soares de Basto, onde permaneceu até à aposentação, em 2002. Professor efetivo desde 1977, ensinou Português, Inglês, Alemão e Técnicas de Tradução de Inglês e desempenhou diversos cargos na escola, incluindo o de presidente do Conselho Diretivo, função que exerceu durante cinco anos.
A sua atividade não se limitou à sala de aula. A partir da década de 80 publicou catorze cadernos de apoio ao estudo de autores dos programas de Português do ensino secundário.
Já no último ano de serviço, em 2001/02, foi incumbido pelo Conselho Executivo, então liderado pelo Professor Isidro Figueiredo, de elaborar uma monografia sobre a história da escola. O trabalho deu origem à primeira edição de “Escola Secundária Soares de Basto – Uma Monografia”, importante registo da história da instituição e das suas origens.
Docente dedicado e respeitado, Avelino Soares Cabral deixa um legado ligado a várias gerações de alunos e professores e à própria história do ensino em Oliveira de Azeméis.
Era casado com Maria da Conceição da Silva Valente Cabral, também professora, com quem teve dois filhos.
Com a sua morte, desaparece uma figura marcante da comunidade educativa local. Fica, porém, a memória de um professor que dedicou grande parte da sua vida à escola e que, no final da carreira, contribuiu também para que a história dessa escola não se perdesse.

Manuel Terra
 

 

"Até sempre, Professor Cabral”
Era assim que o chamava em casa. Não só. Num tempo mais conservador, a proximidade foi ao ponto de ele me tolerar o trato na segunda pessoa. Era mais do que um Professor, era um orientador amigo que me deu muitas das bases que me carregaram para a vida adulta.
Quando alguém morre, na nossa cultura, é difícil desligar o botão da tristeza, da perda, da saudade. No momento da partida do Cabral, gostava de deixar algumas palavras de elogio mais perenes e de celebração de quem foi esta pessoa.
O Professor Avelino Soares Cabral era dono de um sentido de um humor do mais fino que se pode encontrar. Foi também um mestre dessa arte. De como, nas mais sérias das discussões e percorrendo os caminhos da língua portuguesa, inglesa e outras temáticas, do qual era um fiel depositário de conhecimento, o sentido de humor era uma ferramenta didática.
Recordo com muito carinho o seu sorriso e algumas dessas aulas e tardes de aprendizagem intensa. Ele era exigente e nunca o deixou de ser. Correspondia com generosidade e disponibilidade perante a dedicação de quem queria aprender.
Na sua dedicação e sabedoria, escreveu vários livros e materiais de apoio ao serviço de todos aqueles que precisassem. Deixa também a sua marca por essa forma.
Era um humanista convicto. Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira discussão sobre a pena de morte e da forma tão elegante que desarmou argumentos impetuosos de adolescentes sobre aquilo que eram castigos adequados ou não.
As pessoas deixam-nos e ficam as cicatrizes. No entanto, dentro das mesmas, ficam uma série de boas recordações e influências que carregamos connosco. Em boa verdade, continuam a viver dentro de nós. Em jeito de reflexão, não há muitas melhores formas de perdurar do que a noção do bem que possamos ter feito e a diferença na vida de outros. O meu Professor e a D. Maria Conceição deixam também dois belos exemplares de seres humanos nos filhos que também tive o prazer de conhecer.
Por todas as linhas e frases, Caro Cabral, obrigado por tudo. Bom descanso e até sempre. Quis o acaso que Palma fizesse companhia pouco tempo depois. Os dois ficam um bocadinho connosco e … “a gente vai continuar”.
 

Bernardo Mateiro Gomes, Antigo Aluno do Saudoso Professor Avelino Soares Cabral e atual Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública
 

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