14 May 2026
Ricardo Praça da Costa*
Oliveira de Azeméis repete todos os anos o mesmo ciclo: chega o calor, multiplicam-se os incêndios, as noites sem dormir, o fumo sufoca-nos. Contam-se os hectares ardidos, lamentam-se os danos e, no ano seguinte, tudo recomeça. Continuar a insistir num modelo que nos empurra repetidamente para a tragédia é um absurdo.
O problema da floresta não se resolve apenas com mais meios de combate. Viaturas, faixas de contenção e acessos florestais são importantes, mas insuficientes.
Enquanto tivermos um território fragmentado, abandonado e dominado pela monocultura do eucalipto, estaremos sempre vulneráveis. Precisamos de passar de uma lógica reativa para uma lógica preventiva.
Muitos pequenos proprietários não têm capacidade física, técnica ou financeira para gerir os seus terrenos. Sozinhos, não conseguem limpar, planear ou investir. É aqui que temos de mudar de paradigma: unir proprietários, criar escala e organizar a floresta de forma cooperativa.
No Livre Oliveira de Azeméis, acreditamos na criação de uma Cooperativa Florestal Oliveirense e de estruturas municipais de apoio técnico e logístico que transformem áreas de risco em áreas produtivas e rentáveis. Uma floresta biodiversa, baseada em espécies autóctones, frutos secos, apicultura, cogumelos ou plantas medicinais, reduz o risco de incêndio, melhora o solo, retém água e cria empregos e riqueza no território.
O futuro passa por substituir uma lógica míope de lucro imediato por uma visão de prosperidade duradoura.
Podemos manter o modelo falhado que nos ameaça todos os anos, ou liderar uma transformação que proteja os oliveirenses e valorize o território, criando uma floresta mais diversa, rica e resiliente.
Esperar por ação por parte do Governo central é aceitar que este ciclo infernal se repita exaustivamente, até apenas sobrarem cinzas.
Iniciar a transformação da floresta oliveirense é possível já!
*Membro do partido Livre