Quinta-feira da Ascensão ou Quinta-feira da Espiga

António Magalhães

> António Magalhães

A Igreja de Roma celebrou, no passado dia 14, a Quinta-feira da Ascensão.
Muitos de nós assim aprendemos na nossa catequese. Quarenta dias após a ressurreição, Jesus apareceu aos seus discípulos pela última vez e levou-os ao Monte das Oliveiras; abençoou-os, começou a elevar-se e não tardou que uma nuvem o escondesse.
A Quinta-feira da Ascensão reconverter-se-ia num dos mais respeitados dias santos da Igreja de Roma, também feriado nacional para os portugueses. Até que uma disposição de 11 de Janeiro de 1952 estabeleceu deixasse de integrar o número de dias santos, e, como é da tradição nestas circunstâncias, a celebração litúrgica passou para o domingo seguinte. Apesar disso, e decorridos que estão longos anos, são inúmeras as localidades que mantêm a fidelidade à tradição de séculos, continuando a realizar neste dia as tradicionais romarias; e um pouco mais de 10% dos actuais 308 concelhos escolheram o dia para feriado municipal, entre eles os nossos vizinhos Oliveira do Bairro, Anadia e Mealhada.
Aprendi em gravação no granito de multissecular igreja da Corunha que as maiores quintas-feiras do ano são a da Semana Santa, a da Ascensão e a do Corpo de Deus. 
Quem vem dos tempos em que a data era respeitada como dia santo não esqueceu por certo a profunda religiosidade de então, especialmente a evocação da “hora”, isto é, o momento em que Cristo subira ao céu e que cada paróquia seguia de acordo com a tradição. Uma hora com especiais transcendências em que se dizia que “as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam”, representando assim a devoção do sinal da cruz. 
A “Quinta-feira da Ascensão” é também, ainda para muitos, a “Quinta-feira da Espiga”. Os estudiosos destas matérias explicam. A época em que a natureza acorda, após a letargia do Inverno, dava lugar, nas antigas civilizações, a cerimoniais festivos, era o tempo que trazia consigo a perspectiva de novas colheitas, onde assentava a sobrevivência de todos.
A espiga aparecia, assim, como o sinal da abundância, da fartura de pão.

 (escrito de acordo com a anterior ortografia)

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