Rasto de lixo na N16

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Na N16, entre Oliveira de Azeméis e Macinhata da Seixa, há contentores que parecem ter ganho uma segunda função: além de recolherem resíduos da zona, servem também de ponto de descarga para quem passa e não quer levar o lixo mais longe.

O cenário fala por si. Sacos amontoados fora dos contentores, monos encostados à berma, caixas, móveis velhos, um colchão e outros objetos que dificilmente se confundem com o lixo doméstico normal. Em alguns pontos, os contentores municipais estão cheios até acima; noutros, o problema está no que fica cá fora, abandonado como se a estrada fosse ecocentro.

A população da zona queixa-se de um fenómeno recorrente: lixo deixado por pessoas de passagem, vindas de outras áreas, que aproveitam a N16 para despejar o que não querem tratar pelos canais próprios. A suspeita não nasce do nada. Entre os resíduos observados, uma embalagem de encomenda tinha morada de uma freguesia vizinha — pequeno detalhe, mas suficientemente revelador para alimentar a ideia de que nem tudo o que ali aparece vem de quem ali vive.

A ironia está escrita nos contentores: “Um concelho mais limpo”. À volta, a frase parece mais desejo do que realidade. E quando o primeiro saco fica no chão, o efeito é conhecido: aparece outro, depois uma caixa, depois um móvel, depois um colchão. O lixo chama lixo.
 

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