2 Oct 2026
Estivemos 19 minutos à espera para pedir ao município que recolhesse um mono... e mostratam disponibilidade para recolher uma peça em madeira apenas em outubro
Exclusivo> CORREIO DE AZEMÉIS TESTOU SERVIÇO MUNICIPAL SEM SE IDENTIFICAR
Uma peça de grandes dimensões em madeira ficou com recolha marcada para 26 de outubro, 28 dias depois do pedido. Para outro tipo de mono havia disponibilidade para 6 de outubro. O Correio de Azeméis testou o serviço municipal sem se identificar como órgão de comunicação social. O atendimento foi cordial, mas só chegou depois de mais de 19 minutos de espera.
A primeira tentativa foi feita numa sexta-feira. A chamada esbarrou numa mensagem automática a informar que o atendimento telefónico destinado à recolha de monos funciona apenas às segundas e terças-feiras.
O Correio de Azeméis voltou a ligar na segunda-feira, 28 de setembro, pouco depois das 10h00, seguindo o mesmo percurso de qualquer munícipe. O número 800 indicado para o serviço surgiu automaticamente identificado pelo telemóvel como “Parque Infantil”. No atendimento automático, a opção destinada aos monos é a tecla 3.
Seguiram-se mais de 19 minutos de música até alguém atender.
A partir daí, o processo foi simples e o atendimento cordial. Foram solicitados os dados necessários ao agendamento, a morada e a identificação do objeto a recolher.
No teste foi indicada uma peça de grandes dimensões em madeira. A resposta foi de que este material é recolhido apenas na última semana de cada mês. Como setembro estava praticamente terminado, o levantamento ficou agendado para 26 de outubro, uma segunda-feira.
Caso se tratasse de outro tipo de mono, foi indicada disponibilidade para 6 de outubro.
E, para quem passa, não existe forma de distinguir um objeto abandonado de outro que está naquele local porque o proprietário cumpriu as instruções do serviço municipal.
Quando se cumpre e a recolha falha
Há ainda situações em que o problema não termina na data marcada.
Elisabete Silva relatou ao Correio de Azeméis dificuldades anteriores para conseguir agendar a recolha de um colchão, que acabaria por ser levantado depois de várias tentativas de contacto.
Mais recentemente pediu a recolha de uma cama. Segundo contou, foi-lhe indicada a data de 24 de setembro e recebeu instruções para colocar a peça no exterior no dia anterior. Quando falou com o jornal, o objeto continuava junto à habitação.
“Está em frente à minha casa. Vejam lá o aspeto e a vergonha que estou a sentir”, desabafou.
O caso coloca outra questão: quando a recolha não se concretiza como previsto, o munícipe que seguiu as instruções fica com o objeto exposto na rua até haver nova resposta.
Nem todos saberão que existe um serviço próprio
A presença de monos junto a contentores ou ecopontos é normalmente associada à deposição indevida. Mas não é possível saber quantos desses casos resultam de abandono deliberado e quantos poderão decorrer simplesmente do desconhecimento do serviço de recolha existente.
Quem desconheça o procedimento pode interpretar erradamente a zona dos contentores ou do ecoponto como o local adequado para encaminhar um móvel, colchão ou eletrodoméstico fora de uso.
A existência do serviço, os dias de atendimento telefónico e as regras para cada tipo de resíduo tornam, por isso, a divulgação uma parte importante do problema.
Câmara ainda não respondeu
O Correio de Azeméis questionou a câmara municipal sobre o número de pedidos de recolha, os tempos médios de espera, as situações em que o levantamento não é realizado na data prevista e eventuais limitações de capacidade do serviço.
Foram também colocadas questões sobre a divulgação feita junto da população e sobre as indicações dadas a moradores do centro da cidade, de prédios de apartamentos ou de ruas com passeios estreitos onde a colocação de um objeto volumoso pode criar dificuldades.
Até ao fecho desta edição, a câmara municipal ainda não tinha respondido às questões colocadas pelo jornal.
> COMO AGENDAR A RECOLHA
O mono não deve ser deixado junto ao contentor
A recolha municipal de monos domésticos é gratuita, mas tem de ser previamente agendada.
O pedido é feito através do contacto telefónico indicado pelo município. No teste realizado pelo Correio de Azeméis, sem identificação como órgão de comunicação social, o sistema automático encaminhou a recolha de monos para a opção 3. A mensagem inicial informou ainda que o atendimento específico funciona às segundas e terças-feiras.
Durante o contacto são pedidos os dados do munícipe, a morada e a descrição dos objetos. A informação municipal estabelece um máximo de quatro unidades por pedido.
A recolha é feita na via pública, não no interior de propriedades privadas. Os objetos devem ser colocados no local indicado apenas na noite anterior ou na manhã do dia marcado.
Móveis, colchões e vários eletrodomésticos estão entre os materiais abrangidos. Resíduos de construção, pneus, loiças sanitárias, telhas ou fibrocimento, entre outros, seguem outros circuitos. No teste realizado pelo jornal foi ainda informado que as peças de madeira são recolhidas apenas na última semana de cada mês.
> OUTRO CASO, EM MUITOS
E-mail em fevereiro, contacto presencial em setembro... e ainda sem resposta
Outro munícipe relatou ao Correio de Azeméis uma tentativa de recorrer ao serviço que se arrasta há vários meses. Os primeiros contactos foram feitos por e-mail, em fevereiro, mas não conseguiu seguimento, e, por isso, voltou a tentar de novo em maio. Sem resposta!
Em setembro, deslocou-se presencialmente aos serviços municipais. Os seus dados e o pedido foram anotados e foi-lhe transmitido que seria posteriormente contactado.
Até esta segunda-feira, 28 de setembro, esse contacto ainda não tinha acontecido.
> MONOS PODERÃO FICAR EXPOSTOS MAIS DE 24 HORAS
Quando chega o dia, o problema passa para a rua
Os 28 dias de espera não significam que o objeto tenha de permanecer no exterior durante esse período. O mono só deve ser colocado na via pública na noite anterior ou na manhã da recolha.
Mas é precisamente a partir daí que o procedimento levanta outras questões.
Um sofá, colchão, cama ou armário pode permanecer várias horas no espaço público. E, caso não seja recolhido no próprio dia, a indicação prestada telefonicamente é de que o levantamento poderá acontecer na manhã seguinte.
No centro da cidade, isso pode significar ter durante horas uma peça de grandes dimensões numa zona de maior circulação, à porta de um prédio, próximo de um estabelecimento comercial ou junto a uma montra.
Em ruas com passeios estreitos, a questão deixa de ser apenas estética. Um objeto volumoso pode reduzir significativamente o espaço disponível para peões, carrinhos de bebé ou pessoas com mobilidade condicionada.
Num bloco de apartamentos surge outra dúvida prática: onde deve ficar o mono enquanto aguarda pela recolha? Junto à entrada comum? Encostado à fachada? Num passeio já de si reduzido?