31 Aug 2026
S. Martinho da Gândara Concelho
A edição de 2026 das Corridas Solidárias realizou uma prova de 24 horas em São Martinho da Gândara, a favor da Obra Social local
A prova de 24 horas das Corridas Solidárias reuniu corredores e caminhantes em São Martinho da Gândara, em apoio à Obra Social local. Ricardo Bastos percorreu 113,6 quilómetros e prevê duplicar o seu donativo caso se confirme que a distância coletiva superou os 2.000 quilómetros.
A prova de 24 horas das Corridas Solidárias voltou a juntar dezenas de participantes em São Martinho da Gândara, desta vez em apoio à Obra Social da freguesia. A edição foi marcada por calor durante o dia e chuva durante a noite, mas terminou com um balanço positivo de Ricardo Bastos, mentor do movimento, que percorreu 113,6 quilómetros.
“Todas as corridas que se fazem são um desafio novo. As situações com que nos deparamos ao longo de 24 horas são imensas”, referiu, no final da iniciativa. Ricardo Bastos explicou que não correu nesta edição, tendo cumprido a distância em caminhada.
A contagem final de participantes e das distâncias percorridas ainda estava por fechar, mas o responsável acreditava que a marca dos 2.000 quilómetros seria ultrapassada. “Eu costumo dar um euro por cada quilómetro que faço, mas vou somar os quilómetros de toda a gente. Se fizermos mais de 2.000, vou duplicar o meu donativo”, anunciou.
A prova realizada em São Martinho da Gândara encerrou o ciclo de ações das Corridas Solidárias em 2026. A Obra Social foi a causa escolhida este ano pelo grupo, que continua a selecionar os beneficiários através de propostas e votação dos elementos que já participaram no movimento.
O Grupo Desportivo de São Martinho da Gândara manteve-se presente durante as 24 horas e terá percorrido perto de 500 quilómetros. Fernando Lopes, presidente da Junta de Freguesia, sublinhou a importância de receber a iniciativa numa freguesia onde a instituição beneficiária tem um papel central.
“Tenho muito carinho pela Obra Social e admiro muito o trabalho que tem sido feito ao longo dos anos. A freguesia deve-lhe muito”, afirmou o autarca, que também participou na iniciativa a título pessoal. “É importante para a nossa comunidade e é de louvar.”
A Obra Social assegurou a logística necessária durante a prova. Alda Teorgas destacou o esforço de quem passou a noite no percurso, com chuva, cansaço e sono, mas também o grupo que se foi consolidando à volta das Corridas Solidárias.
“Já existe um grupo muito coeso e organizado, com pessoas de todo o lado. Uns correm, outros dão géneros, outros ajudam na logística”, resumiu, considerando que essa diversidade de contributos é uma das forças do projeto.
As Corridas Solidárias nasceram em 2009 de um desafio pessoal de Ricardo Bastos. O mentor juntou três provas, entre as quais os Caminhos de Santiago, e comprometeu-se a doar um euro por cada quilómetro que conseguisse percorrer. A primeira iniciativa rendeu 3.800 euros.
Dois anos depois, a ligação entre Setúbal e Oliveira de Azeméis envolveu já os bombeiros e os vicentinos, angariando mais de oito mil euros. A partir daí, o projeto passou a reunir um grupo mais alargado, que apresenta causas sociais e escolhe, por votação, a entidade beneficiária de cada ano.
“Cada um faz uma chuva de ideias, apresenta associações e causas, e depois votamos. Sempre que apoiamos uma instituição, ela passa também a fazer parte do grupo”, explicou Ricardo Bastos. Segundo o responsável, o valor angariado desde 2009 deverá rondar agora os 140 mil euros.
Mais do que a verba entregue, Ricardo Bastos insiste na dimensão de reconhecimento do movimento. “Queremos dizer às instituições que admiramos o trabalho que fazem. Não vale a pena andarmos todos a fazer o mesmo; devemos apoiar quem já faz um trabalho imprescindível”, disse, referindo-se à Obra Social de São Martinho da Gândara.
O projeto até já foi reconhecido com a Bandeira de Mérito 2026 da Associação Nacional de Gerontologia Social. A candidatura foi preparada por Ana Correia e apresentada através da União de Freguesias de Oliveira de Azeméis.
Ricardo Bastos explicou que foram submetidos os dados relativos a participantes, valores angariados e entidades apoiadas. Segundo a informação transmitida à organização, o projeto ficou entre os dez primeiros de mais de 700 candidaturas, tendo sido atribuídas 150 bandeiras.
Para Inês Lamego, vereadora da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, a distinção dá visibilidade a uma iniciativa que há muito deixou de ser apenas de Ricardo Bastos. “As Corridas Solidárias já não são do Ricardo, mas são um movimento impulsionado por ele”, afirmou.
A autarca salientou que o projeto reúne pessoas que encontram na caminhada ou na corrida uma forma de contribuir para uma causa social. “É bonito ver o espírito que se alastrou à comunidade”, disse, considerando que o apoio representa um contributo importante para instituições com uma gestão exigente.