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Correio de Azeméis

22 Feb 2026

São Martinho da Gândara homenageia quatro personalidades em sessão marcada por emoção

S. Martinho da Gândara

Os homenageados ladeados por elementos da junta de freguesia de S. Martinho da Gândara

A Junta de Freguesia de São Martinho da Gândara promoveu no dia 21 de fevereiro uma cerimónia pública para distinguir quatro figuras ligadas ao desporto, à educação e à saúde, numa tarde em que os homenageados receberam o reconhecimento da comunidade com visível comoção — em especial a professora Sónia Pereira e o treinador Bruno Amaral.

A cerimónia reuniu população e entidades locais para homenagear a atleta Carolina Martins, a professora Sónia Pereira, o treinador de futsal Bruno Amaral e o médico Américo Queirós. A abertura sublinhou que a iniciativa pretendeu reconhecer “trabalho, dedicação e espírito de missão” de quem marca a vida da freguesia, num gesto assumido como “gratidão e orgulho coletivo”. 

 

O presidente da Junta, Fernando Lopes, explicou que os nomes distinguidos resultaram de sugestões da comunidade e que a autarquia quis assumir o princípio de agradecer em vida. “Há um dever de escutar” quando a população aponta quem merece reconhecimento, referiu o autarca, enquadrando a cerimónia como um sinal público de respeito.

 

O vereador da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Rui Luzes Cabral, associou-se ao gesto e destacou o valor de homenagens feitas enquanto as pessoas podem recebê-las, defendendo que iniciativas do género reforçam a identidade local e a memória coletiva.

 

Entre os momentos mais emotivos esteve a homenagem à professora Sónia Pereira, da Escola Básica do Brejo, apresentada como docente com 17 anos de dedicação e projetos desenvolvidos com alunos. A entrada em palco foi acompanhada por uma surpresa preparada pelas crianças, com abraços, “miminhos” e um ambiente de ternura que acabou por contagiar a sala. A própria dinâmica em palco — entre risos, pedidos de fotografia e a agitação dos mais novos — evidenciou a carga emocional do momento. 

 

Também a homenagem ao treinador Bruno Amaral, ligada ao seu percurso no futsal, teve um tom particularmente sentido. No palco, foi deixada à Junta uma lembrança de valor simbólico, descrita como um gesto de “carinho” para a casa da freguesia, num momento acompanhado por aplausos prolongados. 

 

A encerrar o ciclo de homenagens, o médico Américo Queirós recordou o início da sua atividade em 1976 e descreveu episódios do quotidiano clínico que, segundo afirmou, lhe trouxeram “preocupações e alegrias”, com especial destaque para o vínculo criado com os doentes ao longo de décadas. 

A sessão integrou ainda apontamentos musicais por jovens da freguesia e terminou em convívio, com a organização a sinalizar intenção de manter este tipo de reconhecimento comunitário. 

 

História no consultório: “aparecem 25 pessoas… são todos de etnia cigana”

Durante a intervenção, o médico Américo Queiroz contou um episódio que guardou como exemplo de humanidade e de como pequenos gestos podem desencadear grandes reações. Relatou o caso de uma mãe de etnia cigana que lhe pediu ajuda porque o filho “estava muito mal”, mas que, após observação, concluiu tratar-se sobretudo de falta de alimentação. Disse que, na altura, pediu comida para a mãe e para a criança e ainda lhes deu uma pequena quantia. Pouco depois, contou, surgiu uma fila inesperada: “Passado meia hora aparecem lá talvez vinte e cinco pessoas… e um enfermeiro diz-me: ‘Tem ali vinte e cinco pessoas para ver’. ‘O quê?’ ‘Sim… mas são todos de etnia cigana’.”

 

Reconhecimento em vida

“Há uma coisa em que acredito: as pessoas devem ser reconhecidas em vida. Devemos agradecer enquanto podemos olhar olhos nos olhos e dizer obrigado. Esta cerimónia é um gesto simples, mas sentido, de gratidão da freguesia.”

— Fernando Lopes, presidente da Junta de Freguesia de São Martinho da Gândara

 

Coragem institucional

“Homenagear enquanto as pessoas estão com as suas capacidades e no ativo é muito bonito e exige coragem. É importante agradecer a quem faz bem à comunidade e valorizar o que é positivo nas nossas terras.”

— Rui Luzes Cabral, vereador da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis

 

Educação como trabalho coletivo

“Este reconhecimento tem de ser partilhado. É dos meus alunos, das famílias e de todas as pessoas que acreditaram nos nossos projetos. Sinto genuinamente que pertenço a esta comunidade há 17 anos.”

— Sónia Pereira, professora homenageada

 

Reconhecimento na terra natal

“O mais importante é receber este reconhecimento em casa, das pessoas que fizeram parte da minha vida. Os atletas, a família e a comunidade ajudaram-me a construir o percurso que hoje é distinguido.”

— Bruno Amaral, treinador de futsal homenageado

 

Relação com os doentes

“Na minha vida de médico tive preocupações e alegrias, mas sobretudo criei muitas amizades. As pessoas passaram a ser quase a minha família e isso foi o mais importante do meu percurso.”

— Américo Queirós, médico homenageado

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