27 May 2026
S. Martinho da Gândara Freguesias
Junta de freguesia de São Martinho da Gândara
São Martinho da Gândara - Trabalho autárquico
Passado meio ano sobre a tomada de posse dos novos órgãos autárquicos, o executivo e a oposição em São Martinho da Gândara fazem leituras muito diferentes
Enquanto o presidente da Junta, Fernando Lopes, destaca a resposta às dificuldades provocadas pelo mau tempo e o trabalho desenvolvido no terreno, José Terra, eleito pela AD — Agora São Martinho, fala em falta de estratégia e ausência de ambição para preparar o futuro da freguesia.
Habitação, saneamento, abastecimento de água, e desenvolvimento económico surgem entre os principais temas apontados pelos dois lados.
Fernando Lopes - Meio ano no terreno
Os primeiros seis meses de mandato em São Martinho da Gândara foram marcados por dificuldades inesperadas, sobretudo devido às condições climatéricas adversas.
Fernando Lopes, presidente da Junta de Freguesia eleito pelo PS, lembra que as chuvas intensas e persistentes provocaram derrocadas, deslizamentos de terras e queda de árvores, criando situações de risco.
“Foram meses difíceis, em que o tempo não esteve do nosso lado”, afirma o autarca, sublinhando que o executivo esteve no terreno a acompanhar as ocorrências e a tentar minimizar os impactos junto da população. Fernando Lopes destaca também a articulação entre a Junta de Freguesia, o Município e alguns fregueses, cuja colaboração considera importante nos momentos mais críticos.
Apesar das dificuldades, o presidente da Junta garante que o executivo “não baixou os braços” e continua a trabalhar diariamente para responder às necessidades da freguesia. Reconhece, no entanto, que São Martinho da Gândara mantém lacunas estruturais, já transmitidas à câmara municipal, e defende que é preciso “ir mais longe, acelerar processos e concretizar intervenções”.
Entre as prioridades estão as obras de ligação à rede de saneamento, que Fernando Lopes considera urgentes, e o alargamento da rede de abastecimento de água a mais habitações. “Ainda existem fregueses sem acesso a este bem essencial, o que não pode continuar a acontecer”, afirma.
O autarca diz que a junta tem apresentado propostas e projetos para melhorar a qualidade de vida na freguesia e espera que estes “não fiquem apenas no papel”. Ao mesmo tempo, reconhece a colaboração do executivo municipal e apela a um trabalho conjunto com “maior proximidade e eficácia”.
Fernando Lopes agradece aos são-martinhenses “pelo apoio, compreensão e espírito de entreajuda demonstrados nestes meses difíceis”.
José Terra - Falta ambição
Meio ano depois da tomada de posse, a AD — Agora São Martinho faz uma avaliação crítica ao arranque do novo mandato em São Martinho da Gândara. Para José Terra, o balanço dos primeiros seis meses não pode ser desligado dos 12 anos e meio em que a mesma força política tem liderado a Junta de Freguesia de São Martinho da Gândara.
Para José Terra, eleito pela oposição, os primeiros seis meses confirmam um problema que, no seu entender, se prolonga há mais tempo: “ausência de estratégia, decisões adiadas e falta de ambição”.
A habitação surge como uma das principais preocupações. A AD considera que, perante o envelhecimento demográfico e a dificuldade em fixar população, a freguesia precisa de um plano estruturado e de diligências concretas junto da Câmara Municipal para a revisão do Plano Diretor Municipal. “O que está em causa não é apenas construir mais, mas construir melhor”, defende a oposição, apontando para a necessidade de uma nova centralidade que integre habitação, comércio e serviços, sem pôr em causa a matriz agrícola da freguesia.
José Terra diz ainda registar que o executivo pretende recuperar ideias defendidas pela candidatura da AD, nomeadamente a criação de uma zona industrial em articulação com o Município de Ovar. “Mais do que reconhecer o caminho, importa agora concretizá-lo”, sublinha.
As críticas estendem-se à gestão operacional da Junta, que, segundo a AD, continua sem investir em equipamentos mecânicos que permitam melhorar a resposta aos problemas do dia a dia. A Escola do Pardieiro é apontada como outro exemplo de indefinição: a população, sustenta a oposição, continua sem saber quando será inaugurada.
Para a AD, São Martinho da Gândara precisa de planeamento, valorização da identidade agrícola e novas dinâmicas de desenvolvimento.