26 Jun 2026
Depois de 14 meses a dormir num automóvel, Sérgio Soares passou finalmente a primeira noite num quarto. A resposta encontrada pelos serviços sociais permite-lhe deixar a rua, mas continua a ter caráter provisório: a partir de setembro, o homem de 51 anos terá de suportar uma renda de 300 euros, mas a questão do emprego estável que lhe permita, mais ou menos tranquilamente, fazer face à despesa continua por resolver
Sérgio Soares acordou esta sexta-feira num quarto, depois de 14 meses a viver dentro de um automóvel em Oliveira de Azeméis. A mudança começou logo na quinta-feira, 25 de junho, após uma reunião com os serviços municipais de ação social, Segurança Social e Instituto do Emprego e Formação Profissional.
Em declarações ao Correio de Azeméis, Sérgio confirmou que começou logo a carregar alguns pertences para o novo alojamento. “Se não houver nenhum imprevisto, já lá fico hoje”, afirmara na quinta-feira, ao fim do dia, antes de passar a primeira noite já sob um teto.
Segundo Sérgio Soares, a renda do quarto será suportada pelos serviços sociais durante julho e agosto.
A partir de setembro, terá de assumir o pagamento de 300 euros mensais, despesas incluídas.
Ou seja, esta resposta imediata permite-lhe sair da rua, mas mantém a situação em aberto. Sem emprego ou rendimento estável, a continuidade do alojamento dependerá da capacidade de suportar a renda quando terminar o apoio inicial. Refira-se que Sérgio é beneficiário do RSI (240 euros/mês), obtendo ainda um máximo de 280 euros mensais dependendo dos dias de formação que forem realizados no respetivo mês. Ou seja, férias, feriados, eventuais faltas do formando ou do formador fazem logo cair o rendimento.
Na reunião foi-lhe também assegurado o acesso à medicação de que necessita para tratar a úlcera venosa que tem na perna, e o impede de abraçar qualquer tipo de trabalho que exija a permanência prolongada em pé.
A questão profissional continua por resolver. Sérgio Soares frequenta um Curso de Especialização Tecnológica e, segundo explicou, foi aconselhado pelo IEFP a concluir primeiro o estágio, que decorre até julho de 2027 antes de avançar para novas respostas de integração profissional.
A situação de Sérgio Soares chegou à reunião de câmara do passado dia 11 através de Manuel Almeida, vereador do CHEGA, que questionou o executivo sobre o caso de um homem sinalizado pelos serviços sociais e a viver há mais de um ano num carro. Na altura, o vice presidente do executivo, Rui Luzes Cabral, afirmou desconhecer a situação e comprometeu-se a inteirar-se. No entanto, Sérgio Soares havia já reunido em fins de março com uma técnica camarária.
A reunião realizada na quinta-feira acabou por permitir uma primeira resposta. Sérgio Soares, que dizia não dormir numa cama desde agosto do ano passado, deixou agora o carro. A solução, todavia, continua dependente da resolução da sua situação profissional.