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Correio de Azeméis

7 Jul 2026

TGV chega com traçado fechado e indemnizações por resolver

Loureiro

Loureiro> Linha de alta velocidade

A linha de alta velocidade já tem traçado definido na zona de Loureiro, mas as principais respostas para quem vive ou tem terrenos junto à futura infraestrutura continuam por dar.

A sessão de esclarecimento realizada esta segunda-feira, 6 de julho, confirmou a localização da linha nesta área e a implantação prevista no concelho de Oliveira de Azeméis, mas remeteu para atendimentos individuais as dúvidas sobre áreas ocupadas, valores das indemnizações, partes sobrantes e prazos de entrada nos terrenos.
Em abril, na Assembleia de Freguesia de Loureiro, já tinham sido sinalizadas duas famílias numa situação mais delicada, pela proximidade do traçado às suas casas. Na altura, foi referido que a linha não passaria exatamente por cima das habitações, mas que a proximidade poderia obrigar a encontrar uma solução para os moradores. Três meses depois, a sessão pública trouxe mapas e procedimentos, mas não fechou a questão mais sensível: que alternativa terão as famílias se deixarem de poder permanecer nas casas.
Nenhuma das duas famílias sinalizadas em abril quis prestar declarações ao Correio de Azeméis.

Sessão técnica, dúvidas muito concretas
Os esclarecimentos foram prestados por responsáveis da AVAN Norte, concessionária do troço Porto–Oiã, acompanhados por técnicos das áreas de projeto, construção, expropriações, ambiente e atendimento aos proprietários.
A explicação começou pelo enquadramento geral da linha, mas a atenção dos moradores centrou-se rapidamente no mapa local. A pergunta que atravessou a sessão foi simples: que terrenos são afetados, que área será ocupada e quanto será pago a quem perder propriedade ou utilidade sobre ela.
A resposta geral é que o traçado está definido. A resposta individual ainda não existe para todos. Cada proprietário terá de confirmar, parcela a parcela, se é abrangido, que parte do terreno entra na área necessária à obra e que consequências ficam para a área restante.

Implantação no concelho ronda os 800 metros
Em Oliveira de Azeméis, a implantação apresentada ronda os 800 metros. A ocupação foi descrita como limitada, mas associada a equipamentos relevantes para a operação da linha, nomeadamente o centro de manutenção e uma subestação de tração elétrica.
A sessão mostrou esses equipamentos no mapa, mas a informação disponível não permite fixar com segurança se o centro de manutenção fica administrativamente dentro da freguesia de Loureiro ou numa zona limítrofe. O dado seguro é que a afetação apresentada para Oliveira de Azeméis se concentra nesta área do traçado.

De uma faixa de 400 metros à ocupação final
O projeto trabalhou inicialmente com uma faixa de salvaguarda de 400 metros. Essa área serviu para estudar alternativas, prevenir ocupações incompatíveis com a futura infraestrutura e identificar possíveis proprietários afetados.
Com o traçado fechado, essa faixa larga deixou de corresponder à ocupação real. A área necessária à obra é mais estreita, mas varia conforme a solução técnica adotada em cada ponto: aterro, escavação, caminho de serviço, talude ou equipamento de apoio.
É por isso que os responsáveis insistiram no atendimento individual. O mapa geral mostra por onde passa a linha; só a análise de cada parcela permite saber o que será retirado, o que sobra e que limitações poderão ficar.

Duas casas já estavam no centro da preocupação
A dimensão humana do processo já tinha surgido na Assembleia de Freguesia de abril. O caso das duas famílias foi então associado à proximidade da linha às casas e ao risco de uma indemnização não chegar para comprar habitação equivalente.
A oposição defendeu apoio jurídico para garantir compensações justas. A resposta dada na altura foi que ainda não se discutiam valores, mas a situação das pessoas e a possibilidade de permanecerem nas casas apesar dos impactos.

Indemnizações dependem de peritos
Ontem, ficou-se a saber que as indemnizações serão calculadas com base numa avaliação oficial, feita segundo critérios legais. A concessionária não fixa livremente o valor dos terrenos, casas ou outros direitos afetados.
A intenção transmitida foi privilegiar acordos amigáveis com os proprietários. Quando não houver entendimento, o processo poderá seguir para litígio.
Para os terrenos agrícolas ou florestais, a discussão centra-se na área ocupada e no valor do solo. Para habitações, o problema é maior: a indemnização só resolve a situação se permitir uma alternativa realista para quem perde a casa ou deixa de ter condições para ali viver.

 

Partes sobrantes e árvores também levantam dúvidas
Além da área diretamente ocupada, há terrenos que podem ficar partidos pela obra. As chamadas partes sobrantes — áreas que ficam fora da expropriação, mas podem perder utilidade — foram uma das preocupações levantadas na sessão.
A resposta técnica foi que essas situações serão analisadas caso a caso. A lei admite que o proprietário peça a integração da parte sobrante no processo quando essa área deixa de ter aproveitamento, mas a decisão não é automática.
Também houve dúvidas sobre árvores, zonas florestais e afastamentos à linha. A hipótese de uma regra geral de 50 metros foi afastada. A zona de proteção foi enquadrada num limite que pode chegar aos 25 metros, dependendo da configuração da plataforma, dos taludes, dos aterros, das escavações e dos caminhos de serviço.

 

Ruído terá barreiras acústicas
A sessão confirmou que a linha terá impacto no território. A infraestrutura ficará implantada e os efeitos da obra e da futura exploração ferroviária não desaparecem por completo.
Para a zona apresentada, estão previstos pelo menos 100 metros de barreiras acústicas. Quanto às vibrações, não foram anunciadas medidas específicas nesta fase. A monitorização futura poderá determinar novas intervenções, se os impactos registados o justificarem.

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