“Tudo demora muito aqui”: Pedro Marques acusa câmara de Oliveira de Azeméis de andar a reboque dos problemas

Concelho

Pedro Marques, vereador da AD, confrontou o executivo liderado na reunião pelo vice-presidente Rui Luzes Cabral, acusando a Câmara de falta de planeamento e de respostas tardias em áreas como estradas, turismo, comércio local e habitação.

AD (PSD/CDS-PP) criticou falta de estratégia na habitação, comércio, estradas e turismo

Vereador diz que o concelho precisa de planeamento, políticas consistentes e respostas mais rápidas, enquanto o executivo defende obra feita e garante que há projetos em curso.

“Tudo demora muito aqui.” A frase é de Pedro Marques, vereador da AD, numa alfinetada ao ritmo de resposta da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis em áreas como estradas, turismo, comércio local e habitação.

Na reunião de Câmara desta quarta-feira, dia 29, o eleito da oposição acusou o executivo de falta de planeamento e de chegar tarde a problemas que, no seu entender, já deviam estar resolvidos.
Pedro Marques começou por reconhecer a dinâmica associativa, cultural e académica do concelho, mas logo resvalou para a necessidade de uma visão “mais estratégica e mais concertada”, sobretudo para os estudantes do ensino superior.

O vereador defendeu que o município deve olhar para as dificuldades dos alunos, nomeadamente nos transportes e na habitação, e criar condições para que a juventude universitária tenha maior ligação à vida social, cultural e desportiva de Oliveira de Azeméis.


Estradas continuam à espera de mapa e prazos


Em foco esteve, por exemplo, o estado das estradas. Pedro Marques voltou a pedir o mapa das vias a intervencionar e defendeu que o concelho continua com problemas visíveis na rede viária.
“Quando fazemos planeamento atempado, as coisas quando têm que arrancar, arrancam”, afirmou, considerando que a Câmara está parada em algumas matérias e que, quanto mais tempo passa, mais difícil se torna resolver os problemas. O vereador pediu que o executivo entregue o mapa das estradas com prazos definidos, para que a oposição possa acompanhar a execução das intervenções.
Rui Luzes Cabral rejeitou a ideia de falta de planeamento e justificou o calendário das obras com os constrangimentos do inverno. “Estas ruas que vamos pavimentar, vamos pavimentá-las agora porque planeámos há muito tempo que isso pudesse acontecer”, afirmou, explicando que o executivo não quis “dar gás no inverno” para evitar pavimentações em períodos prolongados de chuva. “Temos algumas más experiências, porque a pavimentação em períodos constantes de chuva não é o melhor para a manutenção do piso”, acrescentou.


Turismo “não pode ser só em cima do acontecimento”


Pedro Marques também criticou a falta de uma política mais consistente para o turismo. O vereador lembrou que o concelho tem espaços com potencial, como os Passadiços do Caima, o Parque de La Salette, o Parque Temático Molinológico, o turismo cultural e religioso e, em particular, a praia do Pedregulhal, em Ossela.
Para o eleito da AD, o Pedregulhal “precisa de um upgrade” e tem condições para se tornar “um local de veraneio de excelência”. Pedro Marques criticou o facto de, tantos anos depois, o espaço continuar dependente de soluções provisórias, como casas de banho portáteis, defendendo que o turismo deve ser trabalhado “com consistência e com constância” e não apenas “em cima do acontecimento”.
Sobre o Pedregulhal, Rui Luzes Cabral garantiu que o tema continua na agenda municipal. “Foi um compromisso nosso eleitoral”, afirmou, acrescentando que a Câmara já iniciou conversações com proprietários e está a preparar um projeto. O vice-presidente rejeitou ainda que tivesse apontado para um prazo de 15 ou 20 anos para resolver o problema: “Não vamos demorar 15 ou 20 anos”, disse, explicando que se referia antes ao potencial futuro de Ossela como freguesia ligada ao turismo de natureza e cultura.


Comércio local em “declínio absoluto”


Outro ponto central da intervenção de Pedro Marques foi o comércio local. O vereador lamentou o encerramento da Casa Quintas, que descreveu como uma das lojas mais carismáticas do concelho e “uma loja que daria um livro”, defendendo que espaços deste tipo são âncoras para qualquer política de Comércio com História.
Pedro Marques recordou que o projeto Comércio com História foi apresentado no final do ano passado, mas que, na sua perspetiva, ainda não saiu do papel. “Os comerciantes já deveriam conhecer bem aquele conteúdo”, afirmou, considerando que o município continua sem uma política assertiva de apoio ao comércio local.
O vereador foi mais longe e alertou para o que classificou como “declínio absoluto do comércio local”. Para Pedro Marques, Oliveira de Azeméis arrisca ficar sem comércio tradicional se não houver medidas consistentes, em parceria com a associação comercial, mas também com uma estratégia própria do município. Defendeu uma base de dados do comércio local, melhor divulgação, eventos mais coordenados e uma ligação mais eficaz entre animação urbana e lojas abertas.
Rui Luzes Cabral recusou que todos os problemas do comércio possam ser imputados às autarquias. “O ónus dos problemas e a solução para os problemas de tudo o que existe na nossa comunidade não pode ser sempre assacado às autarquias, ao Governo”, afirmou. Ainda assim, admitiu que é importante o município ter “uma estrutura interna na Câmara Municipal de pessoas interessadas que possam ser parceiros do nosso comércio tradicional”.


Habitação volta ao centro da crítica


A crítica de Pedro Marques ao ritmo da Câmara voltou a aparecer no debate da habitação. Durante a discussão da Estratégia Local de Habitação, o vereador da AD questionou os resultados concretos alcançados nos últimos anos e afirmou que o município ainda não tem casas atribuídas em regime de habitação acessível.
“Até agora não tem uma casa atribuída em habitação acessível”, afirmou, questionando a estratégia municipal e lembrando que Oliveira de Azeméis tem, segundo disse, uma taxa de desocupação de imóveis de 11,8%, com mais de três mil casas devolutas.
Inês Lamego contestou a leitura da oposição e defendeu que a revisão da estratégia resulta de uma mudança no mercado. “Existiu uma mudança de paradigma naquilo que é a disponibilidade das rendas do mercado”, afirmou, sublinhando a dificuldade que “a classe média tem para aceder a este tipo de habitação”. A vereadora justificou a urgência da revisão com a intenção de adquirir 25 fogos e lembrou que o município tinha, até agora, “apenas a renda apoiada, vulgarmente conhecida como habitação social”.


Executivo diz que há planeamento e obra feita


O executivo rejeitou a ideia de ausência de estratégia. Rui Luzes Cabral apontou vários eventos como exemplos de dinamização do concelho e do comércio local, do Mercado à Moda Antiga ao 37.20, às festas de La Salette, à Festa na Aldeia e à Noite Branca. “São meses de uma constante animação”, afirmou, defendendo que a Câmara procura “envolver as coletividades” e “proporcionar que isso, de alguma forma, ajude o nosso comércio local”.
Sobre estradas, a maioria sustentou que há procedimentos em preparação e que algumas intervenções dependem de infraestruturas prévias, como saneamento e águas pluviais, para evitar pavimentar agora e voltar a abrir as mesmas ruas meses depois.
Na habitação, Rui Luzes Cabral rematou com uma síntese da ação do executivo: “Em poucos anos, recuperámos o Bairro de Lações, estamos a construir um edifício com 50 e tal apartamentos para a renda acessível. Queremos comprar mais 25 para a renda acessível e ainda estamos com 50 e tal camas para os nossos estudantes na Quinta do Comandante".
Ainda assim, Pedro Marques insistiu na ideia de que Oliveira de Azeméis tarda em concretizar projetos. Foi, de resto, no final da troca de argumentos sobre o Pedregulhal, que Marques urdiu a crítica puxada a titulo: “Tudo demora muito aqui.”

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